Vítimas do massacre de Suzano recebem atendimento psicológico voluntário

Técnica é utilizada mundialmente em casos de catástrofes

  • Por Nicole Fusco
  • 22/07/2019 07h30 - Atualizado em 22/07/2019 07h39
Estadão Conteúdo Tragédia na Escola Estadual Raul Brasil ocorreu em 13 de março e deixou 10 mortos, além de 11 feridos

Pais e alunos atingidos pelo massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, estão recebendo atendimento psicológico gratuito da Rede Solidária da Associação Brasileira de EMDR. A técnica terapêutica, cuja sigla representa Eye Movement Desensitization and Reprocessing, é utilizada mundialmente em casos de tragédias e estresse pós traumático.

Ela trabalha por meio da estimulação bilateral do cérebro para reprocessar as experiências traumáticas. Os atendimentos começaram em nove de julho e a próxima sessão está marcada para sábado, dia 27.

A presidente da Associação de EMDR, psicóloga Ana Lúcia Castello, conta como a equipe se mobilizou para ajudar essas pessoas. “Eu li um dia em uma mídia social que havia 1,5 mil pessoas em Suzano precisando de atendimento psicológico. Então, entrei em contato com um grupo de pais de Suzano e eles direcionaram nosso grupo para fazer esse trabalho”, contou ela em entrevista à Jovem Pan.

De acordo a prefeitura de Suzano, atualmente, há 1,6 mil pessoas na fila dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Desse total, 400 pessoas entraram na lista após a tragédia da escola Raul Brasil.

A recepcionista Andréa Maria Silva Félix foi uma das pessoas que participaram da sessão de EMDR. Ela é mãe de um dos onze adolescentes que foram feridos no atentado, cometido por dois ex-alunos do colégio em 13 de março deste ano. Além dos feridos, dez pessoas morreram, entre elas os assassinos.

Segundo Andrea, após o segundo atendimento com os psicólogos voluntários, ela já estava se sentindo melhor. “Foi mto bom, saí de lá com a sensação que estava flutuando”, disse. “Foi um alívio muito grande”, completou ela.

O desafio agora, segundo Andréa, é fazer com que outros pais e alunos participem dos encontros, que devem se estender até o fim do ano.

Contratação de psicólogos

Em maio, dois meses após a tragédia, a prefeitura de Suzano informou que tinha apenas 14 psicólogos disponíveis para atender os 294.638 munícipes. Na ocasião,  o governo de São Paulo informou que iria contratar 47 psicólogos, por meio de convênio com a Fundação Faculdade de Medicina.

De acordo com o governo estadual, as contratações seriam realizadas por meio de um processo de seleção dos profissionais, com análises curriculares, prova escrita e entrevistas. Os selecionados seriam alocados em serviços públicos de saúde e educação, incluindo a própria Escola Raul Brasil, a Diretoria de Ensino regional e UBS e CAPS de Suzano.

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