“Vou me dedicar à minha recuperação moral”, diz Temer

  • Por Jovem Pan
  • 20/01/2018 10h57 - Atualizado em 20/01/2018 11h12
EFE/Joédson Alves"Não vou sair da Presidência com essa pecha de um sujeito que incorreu em falcatruas. Não vou deixar isso", garantiu Temer.

Denunciado duas vezes pela Procuradoria-Geral da República em 2017 (por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça), o presidente Michel Temer disse, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo divulgada neste sábado (20), que pretende limpar sua imagem em 2018.

Temer se disse “mal entendido” e afirmou que “há uma tentativa brutal de tentar desmoralizar o presidente”. Ele adiantou que em 2018 vai tentar recuperar sua imagem. “Neste ano, vou me dedicar, entre outras reformas, à minha recuperação moral. O que fizeram comigo foi uma coisa desastrosa”.

O peemedebista destaca que seus “detratores estão na cadeia”, em provável referência aos irmãos Joesley e Wesley Batista, cujas gravações e delações impulsionaram as denúncias contra o presidente. Ele classificou as denúncias do ex-procurador-geral Rodrigo Janot como “desarrazoadas, ilegítimas e fruto de uma tentativa de derrubar o presidente”.

“Não vou sair da Presidência com essa pecha de um sujeito que incorreu em falcatruas. Não vou deixar isso”, garantiu Temer.

Temer comentou as investigações de corrupção no decreto dos Portos, que o atingem. Ele respondeu 50 perguntas elaboradas pela Polícia Federal (PF) sobre o caso um dia após se encontrar com o diretor-geral da PF Fernando Segovia. O presidente não vê problemas no fato e minimiza o inquérito que o atinge.

“Eu discuti sobre segurança pública. O que me surpreende é que o presidente não pode falar com o diretor-geral da Polícia Federal. Como se fosse criminoso. Eu já estava com as perguntas respondidas. São tão desarrazoadas, singelas, simplórias que não tinha nenhuma preocupação”, disse.

Caixa

Temer ainda disse que “não conhece os pormenores das investigações” a respeito de quatro vice-presidentes da Caixa, afastados após recomendação do Banco Central. O presidente nega ter tido conhecimento da recomendação anterior do Ministério Público que foi encaminhada à Casa Civil de seu governo.

O presidente também negou qualquer participação nos supostos crimes apurados. Questionado sobre fala do vice-presidente Roberto Derziê, que disse que recebia pedidos de Temer e do ministro Moreira Franco, o peemedebista afirmou: “jamais, grife jamais, e coloque em sua cabeça em letras garrafais, pedi coisa de emenda ou dessa natureza”.

Neste ponto da entrevista à Folha, Temer se mostrou indignado: “o que estou fazendo nos últimos tempos é recuperar os aspectos morais da minha conduta. Fico impressionado com a guerra de natureza moral”, classificou. “De repente, chego à Presidência e sou vítima de uma avalanche que me transforma como se fosse um sujeito corrupto. Que permite a você fazer essas perguntas que está fazendo. Como se eu fosse um sujeito capaz das maiores barbaridades, ditas por um vice-presidente que tem relação formal comigo, cerimoniosa.”