Breivik se recusa a encontrar com pai caso ele não apoie seus ideias

  • Por Agencia EFE
  • 18/09/2014 11h02

Copenhague, 18 set (EFE).- O fundamentalista cristão e ultradireitista Anders Behring Breivik, autor do massacre que provocou 77 mortes na Noruega em julho de 2011, não quer ver seu pai a menos que este apoie seus ideais, revelou nesta quinta-feira seu progenitor.

Assim revelou em carta que foi incluída no livro “Minha Culpa? História de um pai”, escrito por Jens Breivik e apresentado hoje em Oslo.

“A carta me assustou e segue me assustando. É mais e mais radical, e provavelmente mais perigoso também”, afirmou seu pai, que quis ver seu filho enquanto escrevia o livro.

Jens Breivik, um diplomata agora aposentado, se divorciou de sua esposa, Wenche Behring Breivik, quando Anders tinha um ano.

Breivik tentou a guarda o filho três anos depois, ao receber uma carta dos serviços sociais noruegueses, preocupados pela situação no lar materno, mas perdeu o caso.

Até Anders completar 16 anos, pai e filho se viram várias vezes, sobretudo na França, onde residia o progenitor, mas desde então não voltaram a ter contato.

“Muitas crianças crescem com apenas um progenitor sem que se transformem em terroristas por isso. Ter crescido com uma relação um pouco ruim comigo não justifica”, disse na apresentação do livro.

Jens Breivik se mostrou convencido de que se ele tivesse obtido a guarda, Anders teria se transformado em outra pessoa e teria sido influenciado “positivamente” pela figura do pai, que se considera de alguma maneira “vítima” dos atentados perpetrados por seu filho.

“Tenho que seguir vivendo, embora seja o pai de um assassino de massas. Nunca poderei esquecer o ocorrido, é um peso que tenho comigo todo o tempo”, afirmou.

Outra editoria norueguesa publicou no ano passado uma autobiografia da mãe de Breivik, falecida meses ante

Breivik detonou uma bomba no complexo governamental de Oslo em 22 de julho de 2011 e causou a morte de oito pessoas.

Justo depois foi de carro até a ilha de Utoeya, ao oeste, onde perpetrou um massacre no acampamento da Juventude Trabalhista, na qual morreram outras 69 pessoas.

O extremista norueguês foi condenado à pena máxima de 21 anos de prisão, embora prorrogáveis de forma indefinida. EFE