Brexit pode complicar negociações de acordo Mercosul-UE, avalia governo

  • Por Estadão Conteúdo
  • 22/06/2016 12h42
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A saída do Reino Unido da União Europeia pode ser um complicador para as negociações do acordo do Mercosul com o bloco europeu, segundo se avalia o Ministério das Relações Exteriores. Isso porque os britânicos têm sido aliados do Brasil quando se discute a abertura do mercado agrícola.

“Londres é um dos maiores apoiadores de um acordo amplo e tem atuado firmemente para a inclusão do setor agrícola”, disse um diplomata, cravando que “eles têm sido um pilar importante.”

Por isso, dentro do Itamaraty, há uma “torcida discreta” pela permanência britânica. É o máximo que se pode fazer, pois o Brasil não interfere em temas internos de outros países. 

A torcida se justifica também porque a saída do Reino Unido pode desestabilizar Bruxelas e atrasar o processo de recuperação econômica que apenas engatinha em mercados importantes para o Brasília, como Espanha e Portugal. Os britânicos são a terceira maior população do bloco e respondem por 15% de seu Produto Interno Bruto (PIB).

As consequências da separação, porém, são mais amplas do que os potenciais efeitos sobre o Brasil. Atualmente, a Grã-Bretanha integra um tripé, junto com a Alemanha e a França, na sustentação do bloco. Sua saída provocaria um realinhamento de forças.

Além disso, poderia haver um “efeito cascata”, com a saída de outros países do grupo continental, com o agravante da crise dos refugiados ter dado força a grupos nacionalistas e xenófobos.

Do ponto de vista econômico, a saída do Reino Unido deixaria a Alemanha sem seu principal aliado nas discussões sobre propostas voltadas à produtividade. Ambos os países têm trabalhado juntos para refrear propostas na linha estatizante.