Busca de prestígio ou preocupação legítima com a guerra: qual o objetivo de Trump em atacar a Síria

  • Por Jovem Pan
  • 07/04/2017 16h53
Donald Trump - EFE

Por conta do ataque surpresa dos Estados Unidos contra a Síria, e dos atentados terroristas em Londres e em Estocolmo, a Jovem Pan promoveu um debate entre seus correspondentes internacionais, Caio Blinder, direto dos Estados Unidos e Ulisses Neto, em Londres. Também participaram da conversa os jornalistas Daniel Lian, Victor LaRegina e Denise Campos de Toledo.

Qual o verdadeiro motivo dos Estados Unidos para atacarem a Síria? Como ficará a relação de Trump com a Rússia? Vale ressaltar que o presidente norte-americano tem sido investigado pela CIA, por conta de possíveis influências do governo russo em sua eleição. No entanto, os russos mantêm boa relação com os sírios.

Na visão de Caio Blinder esse é um ataque de improviso e que tem como propósito principal tirar o ditador Bashar al-Assad do poder. No entanto, as ações aconteceram em um momento propício para que Trump recupere seu prestígio junto ao povo de seu País.  “Trump nunca falou de humanismo e agora decide lançar misseis sob a alegação de um ataque contra armas químicas. Essa guinada de comportamento surpreende, pois acontece num momento de baixa do governo e resgata de novo o orgulho norte-americano”, declarou.

Já Ulisses Neto acredita que agora fica muito difícil de prever quais serão os rumos do mundo, pois o que essa relação entre Síria-Rússia não precisava era de mais um protagonista. “As consequências podem ser ainda mais preocupantes e não sabemos se novos bombardeios serão realizados”, esclareceu.

Os correspondentes também levantarem as diferenças entre o material bélico dos Estados Unidos, com o do Estado Islâmico, cujas ramificações têm se espalhado mundo afora. “Os Estados Unidos atacam com misseis teleguiados enquanto o terror tem baixa tecnologia.  Os ataques na Europa foram praticados por cidadãos comuns que tinham se convertido ao Islã”, explicou Blinder.

Refugiados e teatro

De certa forma, a ação de Trump tirou o foco do atentado de Estocolmo, porém a intolerância com os refugiados pode alarmar novamente a Europa. A Suécia, apesar de um País pacato, é um dos que proporcionalmente mais abrigaram os refugiados. “Na Alemanha vários incidentes levantaram esse debate da questão imigratórias. Lembrando que estamos a poucas semanas das eleições na França, e sem dúvida esse episódio na Suécia, ajuda muito a candidata Marine Le Pen, que tem um discurso anti-imigração muito forte”, completou Ulisses Neto.

De acordo com Caio Blinder há uma super valorização da investida norte-americana, pois Israel também já havia ordenado ataques à Síria e nada se falou. “A ONU (Organização das Nações Unidas) é o retrato da paralisia diplomática nessa crise. Até que ponto Putin vai sacrificar seus interesses em nome de Assad? E até que ponto o ditador sírio vai peitar os Estados Unidos”, indagou o correspondente.

“Em apenas dois dias, Trump mudou totalmente a postura e identificou um alvo. Até então a mídia estatal russa mostrava reportagens exaltando a relação com os Estados Unidos, e agora as imagens são apenas dos ataques e questionando a eficácia dos ataques”, completa Ulisses Neto.

As investidas terroristas na Europa têm provocado um “clamor” mundial. Por isso, o repórter Victor LaRegina questionou Caio Blinder se há alguma relação da cobertura da imprensa mundial com a dos atiradores de escolas norte-americanas. “O grosso é provocado por radicais islâmicos, mas se computarmos o número de pessoas mortas após o 11 de setembro, morreram mais pessoas em função de supremacistas brancos do que do terror islâmico”, concluiu o correspondente.