Cabo da PM que matou advogada e feriu dois em SP é encaminhado para presídio

  • Por Jovem Pan
  • 23/03/2015 16h05
SÃO PAULO,SP,23.03.2015:PM-MORTE-VIZINHA - Policial Militar que matou uma vizinha e deixou outras duas pessoas feridas na noite deste domingo (22), é transferido do 73ºDP no Jaçanã para o Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (23). Entre os baleados está uma grávida de seis meses. As famílias, que moram há muitos anos na mesma rua, viviam em desavença há um ano. O PM se entregou aos policiais depois do crime. (Foto: Beto Martins/Futura Press/Folhapress)PM que matou mulher e feriu mais dois

Foi encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, nesta segunda-feira (23), o cabo da PM, Gilson de Souza Teixeira, do Quinto Batalhão da Corporação, após ter matado uma mulher a tiros e ferido mais duas pessoas. De acordo com a Secretaria Estadual de Segurança Pública de São Paulo, o cabo deve ser indiciado como criminoso comum e deverá ser encaminhado à Justiça comum e pode ser expulso da corporação.

Em entrevista ao repórter Tiago Muniz, Antônio João Agostinho, marido da vítima, disse que vai lutar por justiça. “Enquanto tiver vida, eu vou trabalhar de dia e de noite para eu contratar um advogado para ele representar minha esposa e a morte dela não ficar impune. Eu vou agora liberar o corpo da minha esposa e cuidar dela, para enterrar como uma pessoa digna, que ela sempre foi”, relatou com a voz embargada.

O filho da vítima e que, supostamente, teria discutido com o policial, Danilo da Silva, relatou o momento do crime. “Quando ele desceu do carro, ele atirou nela. O primeiro tiro pegou no peito dela. Deu o primeiro tiro nela, meu irmãozinho de 11 anos estava atrás dela. O primeiro tiro pegou no peito dela. Na hora que ela caiu, meu irmão agarrou ela, ele [policial] deu três passos pra frente e deu mais dois tiros nela. Depois disso, tinha um tumulto lá embaixo, que era a minha família, ele mirou na direção de todo mundo e disparou mais dois tiros”, contou.

O governador Geraldo Alckmin, em entrevista a Thiago Uberreich, ressaltou as ações da Corregedoria e de investigação para tentar conter esse tipo de problema. “Nós temos uma corregedoria da Polícia. Para se ter uma ideia, no ano passado, foram mais de 500 policiais demitidos. Há um esforço permanente de acompanhamento de legalidade por parte da polícia”, explicou o governador.

Familiares disseram à reportagem Jovem Pan que já haviam feito representações contra este cabo por violência e agressão, tanto no 73º DP como na Corregedoria da PM.

Procurada para saber a respeito dessas informações, a Secretaria Estadual da Segurança Pública de SP, a reprtagem da Jovem Pan ainda não obteve retorno.

O crime

O crime bárbaro ocorreu na noite deste domingo (22) na altura do número 24 da Rua Manoel Lisboa de Moura, no Jardim Filhos das Terra, região do Jaçanã.

No local, houve uma discussão entre o cabo da PM e Danilo da Silva, filho da advogada Jurema Cristiane Bezerra da Silva, de 39 anos, morta pelo policial.

A mulher de Danilo, Gabriela Rocha, de 18 anos, estava grávida e também foi baleada. Ambas foram levadas para o pronto-socorro do Hospital São Luiz Gonzaga, mas a advogada, atingida três vezes no peito, chegou morta.

Baleada na barriga, a nora dela foi submetida a uma cesariana, para retirada do bebê, uma menina, e ambas se encontram na UTI, em estado grave. O adolescente Marcos Vinícius Bezerra da Silva, de 17 anos, primo de Danilo, foi atingido no braço, de raspão, sendo medicado e liberado.