Canadá tenta explicar caso de jovem que quase embarcou com bomba em avião

  • Por Agencia EFE
  • 18/01/2014 02h46

Toronto (Canadá), 17 jan (EFE).- As autoridades do Canadá estão tendo problemas para explicar as razões pelas quais um jovem que viajava para o México não foi detido depois que uma bomba foi encontrada em sua bagagem, pôde seguir viagem e, inclusive, teve o artefato oferecido de volta pelo agente de segurança do aeroporto.

O incidente, que aconteceu no dia 20 de setembro, mas cujos detalhes não haviam sido divulgados até esta sexta-feira, ocorreu quando Skylar Murphy, de 18 anos, tentou embarcar em um avião no aeroporto da cidade de Edmonton com sua família para passar férias no México.

Durante a revista rotineira da bagagem, os agentes de segurança do aeroporto descobriram uma bomba caseira envolvida em uma sacola plástica de uma loja que vende produtos para o consumo de maconha e que estava dentro de uma bolsa de máquina fotográfica.

Quando a bomba foi detectada pelos serviços de segurança do aeroporto de Edmonton, foi colocada em uma caixa de plástico para analisar se havia resíduos de maconha.

Posteriormente, os agentes da Autoridade Canadense de Segurança do Transporte (CATSA, sigla em inglês), perguntaram ao jovem se queria de volta a bomba caseira, mas o rapaz rejeitou a oferta.

Quatro dias depois, a CATSA advertiu a Polícia Montada canadense sobre o incidente e Murphy foi detido ao retornar do México no dia 27 de setembro.

O incidente não parece estar relacionado com a prisão no começo do ano, na Cidade do México, de dois jovens canadenses, Amélie Pelletier e Fallon Rouiller Poisson, acusados de lançar coquetéis molotov contra um edifício da Secretária de Comunicações e Transportes.

Após a prisão, Murphy se declarou culpado da posse de um artefato explosivo e foi sentenciado a um ano de prisão e a 100 dólares canadenses de multa, mas a sentença foi suspensa. Murphy também terá que doar 500 dólares canadenses para um hospital.

A CATSA, a agência estatal que tem a responsabilidade de garantir a segurança nos aeroportos, se limitou a reconhecer em comunicado que os agentes não seguiram os protocolos estabelecidos e que revisou o incidente.

Mas a emissora pública canadense “CBC” disse hoje que os agentes envolvidos no incidente continuam trabalhando e que a CATSA tentou abafar o caso.

A própria Polícia Montada do Canadá, que normalmente oferece detalhes ao público sobre incidentes deste tipo, emitiu em setembro um comunicado no qual apenas informou sobre a detenção de uma pessoa pela posse de explosivos, sem mais informações.

A bomba caseira era feita com tubos de chumbo, recheada de pólvora e com um longo pavio em um dos extremos.

Ao ler a sentença de Murphy, o juiz lembrou que “bombas caseiras são utilizadas para matar gente, destruir propriedade. São utilizadas em guerras, são utilizadas por terroristas, são utilizadas por indivíduos que estão em conflito e são muito eficientes na hora de matar pessoas”.

O juiz acrescentou que se o explosivo não tivesse sido detectado, “(o jovem) estaria em uma prisão mexicana e seu avô e sua família o estariam visitando na prisão. Provavelmente, estaria aprendendo espanhol se sobrevivesse. Duvido que sobreviveria”.

Murphy disse que fabricou a bomba para destruir uma construção em sua propriedade e gravar a demolição, mas que posteriormente mudou de ideia e esqueceu que tinha colocado a bomba em sua bolsa.

Aparentemente, o jovem roubou a pólvora utilizada no artefato explosivo do namorado de sua mãe, que é um policial. EFE