Carga tributária é altíssima, não adianta pensar em aumentar impostos, diz Skaf

  • Por Estadão Conteúdo
  • 08/06/2016 13h19
Brasília- DF- Brasil- 06/01/2015- Reunião com o presidente da Fiesp, Paulo Skaff. Fotos: Erasmo SalomãoSkaff

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou, nesta quarta-feira (8), que a carga tributária é “altíssima” no Brasil e o governo não vai resolver a situação fiscal se decidir elevar impostos. A uma plateia composta pelo presidente em exercício Michel Temer (PMDB) e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, Skaf defendeu que o Planalto aprimore seus mecanismos de arrecadação e busque passivos que estão, até o momento, “perdidos”.

“Aumentar impostos no momento em que empresas estão feridas significará aumentar a inadimplência”, analisou, argumentando que há outros caminhos para buscar receitas.

O peemedebista também classificou a taxa básica de juros vigente no Brasil, de 14,25% ao ano, de “absurda” e sugeriu que a Selic seja reduzida, pois “Há necessidade de haver crédito”.

O megaempresário ainda fez uma defesa das concessões, dizendo que elas “não só criariam infraestrutura, mas também gerariam emprego”, também pedindo a tomada de “medidas emergenciais” para recuperar a confiança e destravar os investimentos, o que incluiria o não aumento de tributos, a redução de juros, ampliação do crédito e o estímulo às exportações. “Sendo atendidos esses pontos macroeconômicos, vamos retomar a confiança”. 

Separação

O executivo defendeu também que é preciso separar a crise política da crise econômica, reiterando que não tinha vindo ao evento para fazer reivindicações, “estamos aqui para reforçar a crença e o amor que temos pelo Brasil, pela nação brasileira. É fundamental, para que possamos retomar crescimento, a confiança”, concluindo, já emendando,“em primeiro lugar, temos de separar a crise política da econômica. É necessário que a crise política siga seu trilho para que se resolva, mas a crise econômica tem que ter trilho separado para que se transforme em crescimento”. 

Além de Temer, Meirelles e empresários, acompanham o discurso o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, o secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco, e o ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Marcos Pereira.

Por fim, o gestor da FIESP destacou que, para que o Brasil saia da crise, é preciso retomar os números positivos, “se o governo precisa de mais arrecadação, ministro Meirelles, a solução é o crescimento. Se precisamos gerar empregos, precisamos de crescimento”.

Para isso, voltou a sublinhar a volta da confiança de investidores, “nós todos estamos à disposição, trabalhando noite e dia, sábados, domingos e feriados, para a retomada do Brasil”, acrescentou, aplaudido pela plateia.

Após o encontro, o Temer vai receber os empresários em almoço no Palácio do Jaburu.