Caso seca se repita, Cantareira irá cair 3%

  • Por Estadão Conteúdo
  • 23/05/2016 09h49
SP - CRISE HÍDRICA/CANTARERA/ALTA - GERAL - Vista aérea da represa Jaguari-Jacareí, que faz parte do Sistema Cantareira, na cidade de Joanópolis, no interior de São Paulo, nesta sexta-feira, 19. O nível do Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da capital paulista e da Grande São Paulo, voltou a subir nesta sexta-feira, 19, e registrou a quarta alta consecutiva, segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Outros três sistemas tiveram aumentos, enquanto dois perderam volume de água armazenada. 19/02/2016 - Foto: LUIS MOURA/ESTADÃO CONTEÚDOVista aérea da represa Jaguari-Jacareí

Simulações feitas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) mostram que, mesmo se a seca registrada em 2014 se repetir nos próximos meses, o Sistema Cantareira não voltará a operar no volume morto neste ano. No pior cenário hidrológico projetado, com as vazões mais baixas da história, o manancial chegaria a dezembro com 3% da capacidade normal, um pouco melhor do que no fim de 2015, quando o nível era zero, mas abaixo do índice de segurança (20%)

O presidente da Sabesp, Jerson Kelman, considera improvável que ocorra, neste ano, a repetição da pior estiagem da história do Cantareira em 85 anos de registros, mas diz que, se o fenômeno voltar a acontecer, a companhia está mais preparada para manter o abastecimento de cerca de 20 milhões de pessoas na Grande São Paulo graças às obras executadas durante a crise e da menor retirada de água do sistema (25% abaixo do praticado antes do início da escassez, em 2014).

Naquele ano, a entrada média de água nos reservatórios do principal manancial ficou 74% abaixo da média histórica, o que ajudou a empurrar o sistema para o volume morto, a reserva profunda das represas, a partir de maio, e levou a Sabesp a intensificar o racionamento com a redução da pressão na rede a partir de outubro. A situação hidrológica só melhorou a partir de fevereiro de 2015, fazendo com que o Cantareira recebesse, no segundo ano da crise, o dobro do volume de água de 2014, porém, ainda assim, 48% abaixo do esperado.

Segundo a estatal, se o cenário de 2015 se repetir, o manancial chega ao fim deste ano com 7,8% da capacidade normal, acima de zero. Nas duas simulações o nível ficaria abaixo dos 20% definidos como meta mínima de armazenamento para dezembro pela Agência Nacional de Águas (ANA) do governo federal e pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE), ambos reguladores do sistema.

Entre janeiro e abril deste ano, a vazão afluente às represas do manancial ficou apenas 12% abaixo da média. As projeções mostram que, se o cenário se mantiver nos próximos meses, o Cantareira chegaria ao fim do ano com 37,6% da capacidade, um pouco acima do nível atual. No último domingo (22), o nível de água armazenada no sistema subiu de 65,2% para 65,4%, sem se considerar o volume morto, passou de 35,9% para 36,1%. Todas as simulações foram feitas pela companhia com a manutenção da retirada atual de água em 23 mil litros por segundo até dezembro. 

Os números são usados pela Sabesp para reiterar a afirmação de que a crise hídrica acabou, conforme o governador Geraldo Alckmin (PSDB) declarou, em março último, logo após uma sequência de cinco meses chuvosos, mesmo em sequência do recorde histórico de falta de chuva registrado em abril. Para técnicos da empresa, o manancial voltou à normalidade. “Abril não choveu nada e a vazão ficou muito acima da de 2014 e 2015 porque o lençol (freático) está carregado. Diferentemente de 2015, o nível está se mantendo, quando chovia e o nível continuava caindo”, disse o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato.

Racionamento

Massato perspectiva que é possível manter a atual retirada de água do Cantareira em 23 mil l/s (antes da crise eram 31 mil l/s) e “não há, neste momento, um risco iminente” de voltar ao racionamento praticado nos últimos dois anos, quando a produção do manancial caiu para 13 mil l/s. 

“Claro que, se o cenário daqui para a frente for de total ausência de chuvas, como foi abril, lá pelo mês de agosto ou setembro teremos de tomar alguma providência. Não agora, porque as vazões afluentes estão boas se comparadas com um passado recente”, disse.

Segundo o gestor técnico, mesmo que ANA e DAEE determinem uma pequena redução da exploração do Sistema para atingir a meta de 20% ao final do ano, há margem para remanejar água de outros sistemas dentro da rede, como Guarapiranga e Alto Tietê, sem precisar retomar o racionamento durante o dia, a redução, atualmente, está concentrada à noite e de madrugada. “O consumo de água da população hoje é menor do que em 2014. Está equilibrado. Se precisar retirar mais dos outros sistemas a gente tira”, finaliza.