Catânia lamenta não ter lugar em cemitérios para enterrar imigrantes

  • Por Agencia EFE
  • 21/08/2015 12h58

Roma, 21 ago (EFE).- As autoridades de Catânia, na ilha italiana da Sicília, lamentaram que não têm mais lugar em seus cemitérios para enterrar os imigrantes cujos corpos são recuperados em águas do Mediterrâneo e por isso estão sendo acumulados desde abril dezenas de ataúdes.

O vice-prefeito da cidade, Marco Consoli, explicou que há 65 caixões que esperam ainda sepultura e alguns deles permanecem acumulados em espaços do cemitério desde o mês passado de abril, em entrevista publicada nesta sexta-feira no site do jornal “La Repubblica”.

A Prefeitura de Catânia quer dar aos imigrantes uma sepultura digna e criar alguma lápide que lembre os mortos, mas no cemitério a maioria de postos são propriedade dos moradores da cidade, que normalmente receberam em herança e que pagam uma cota por elas, segundo explicou à Agência Efe um empregado do cemitério.

Concretamente, 45 ataúdes são de pessoas que morreram em 18 de abril, no maior naufrágio lembrado em águas do Mediterrâneo, quando morreram centenas de imigrantes tentando alcançar o litoral italiano.

Em outro cemitérios da cidade se acumulam, segundo explicou o vice-prefeito, outros 20 caixões de imigrantes que morreram em 15 de agosto.

São 20 dos 49 corpos achados sem vida na adega do navio no qual viajavam em sua travessia rumo à Itália, lugar reservado para os que pagam menos às máfias de tráfico de pessoas para chegar à Europa.

Os ataúdes se encontram acumulados com apenas um número que identifica os mortos em zonas do cemitério em espera de um espaço ou que sejam transferidos a outras localidades.

Além dos cemitérios, os centros de amparo de imigrantes italianos estão colapsados após as últimas chegadas, uma pressão migratória que “não diminuirá se não se estabilizar a situação na Líbia”, segundo o ministro do Interior, Angelino Alfano.

Assim, enquanto as chegadas continuam, Alfano anunciou em 29 de julho a criação de 10 mil novos postos em locais de amparo, que se somam às 86 mil locais públicos distribuídos em 456 centros ao longo de todo o país, embora mais concentrados no sul. EFE