Centrais e Fiesp já fazem pressão sobre Meirelles

  • Por Estadão Conteúdo
  • 16/05/2016 09h30
Fiesp - impeachment - pato

Apenas quatro dias após terem tomado posse, o presidente da República em exercício, Michel Temer, e seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, iniciam a semana sob pressão das centrais sindicais e também dos empresários em relação ao pacote de medidas que a equipe econômica planeja colocar em prática nos próximos dias.

A pressão parte, principalmente, de personagens importantes que estiveram ao lado de Temer na batalha do impeachment: o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, e o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), da Força Sindical.

Em reunião agendada para as 15 horas, no Palácio do Planalto, ao menos quatro das maiores centrais do País, Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Sindicatos Brasileiros e Nova Central Sindical de Trabalhadores, pressionarão Temer, Meirelles, Padilha (Casa Civil) e o novo ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, a rever alguns pontos anunciados pelo ehfe da economias em entrevista coletiva dada última sexta-feira (13).

Do lado dos empresários, o presidente da Fiesp se reuniu, na noite deste domingo (15), com Temer, em São Paulo. A pauta foi a proposta de recriação da CPMF ou de outro imposto transitório, ideia que não é descartada por Henrique Meirelles. “O pato está a postos e tem como prioridade dizer não ao aumento”, afirmou Skaf, no sábado, em entrevista à Rádio Gaúcha, numa referência ao pato inflável da campanha da entidade contra impostos. 

O primeiro grupo rejeita fortemente a recriação da CPMF, ainda que temporária, e o segundo teme os rumos da reforma da Previdência. Geddel Vieira Lima, ministro da Secretaria de Governo, se diz, pessoalmente, contra a recriação da CPMF. 

“Sou pessoalmente contra a criação da CPMF, mas vou adotar a postura do governo”, disse Geddel, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. Em declarações ao programa Fantástico, da TV Globo, Meirelles disse que o ideal é que se consiga equilibrar o orçamento apenas com o corte de despesas e, assim, não ser necessário a volta do imposto. 

Sindicatos

As centrais são contra a reforma da Previdência, em especial em relação à idade mínima e ao aumento do tempo de contribuição. Outro ponto que elas querem discutir hoje com a nova gestão é a revisão da legislação trabalhista.

Na sexta, o ministro da Fazenda disse que a proposta de reforma da Previdência deve respeitar os direitos adquiridos. Mas ressaltou que esse conceito é “impreciso”. Afirmou ainda que sua equipe trabalha em cima de revisão da legislação trabalhista. Também para o Fantástico, ele ponderou que o assunto tem de ser debatido com a opinião pública e o Congresso.

o presidente em exercício quer convencer as centrais de que algumas medidas são, apesar de duras, extremamente necessárias. Dirá que a proposta de reforma da Previdência tem por objetivo conter gastos públicos e que as leis trabalhistas precisam se modernizadar. 

Conforme antecipou, no último domingo, no estadão.com, a Coluna do Estadão, na reunião desta segunda (16) com as centrais sindicais, Michel Temer e Henrique Meirelles serão claros na conversa. Ambos dirão aos representantes dos sindicalistas que o governo vai apresentar uma proposta de reforma da Previdência Social para o Congresso como forma de conter os gastos enormes que o setor hoje representa.

Projeções feitas por técnicos do governo indicam que o sistema previdenciário poderá entrar em crise a partir de 2020, caso os gastos não forem contidos por algum tipo de reforma.

Reações

Além de conseguir apoio, o encontro visa debelar uma possível rebelião das centrais sindicais. As entidades ainda não falam em ações práticas, mas informaram que, quando as negociações começarem efetivamente, vão levar as propostas para os trabalhadores para estudar a reação mais adequada, caso medidas mais duras prosperem. 

Para o presidente atual, esse cenário é ruim, pois ele já não detém o apoio das centrais ligadas ao PT, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior do País, e a Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil. Ambas foram convidadas para a reunião, mas, até o início da noite de domingo, nenhuma havia confirmado presença.