Centros de votação têm filas em eleições parlamentares na Venezuela

  • Por Jovem Pan com Agência EFE
  • 06/12/2015 12h31
Centros de votação abrem para eleições parlamentares na Venezuela

Os colégios eleitorais da Venezuela abriram no início da manhã deste domingo (06) para que os quase 19,5 milhões de cidadãos convocados às urnas possam votar no pleito que vai definir os 167 parlamentares da Assembleia Nacional.

Os centros de votação abriram às 6h (hora local; 8h30 de Brasília) e fecharão às 18h (20h30 de Brasília) nas mesas sem filas, pois a lei venezuelana proíbe o fim do processo enquanto houver pessoas à espera de exercer o direito.

Esta é a primeira vez que a oposição à chamada Revolução Bolivariana iniciada em 1999 pelo falecido presidente Hugo Chávez surge como favorita para destronar o movimento chavista nas urnas.

A repórter Ana Carolina Peliz, direto de Caracas, confirmou filas durante a manhã; algumas, segundo ela, iniciaram-se às 4h (hora local) porque os eleitores queriam garantir seu direito ao voto, já que nas últimas eleições foram denunciadas fraudes.

A maioria das pesquisas realizadas nas últimas semanas apontam o avanço da oposição devido, sobretudo, ao descontentamento derivado de uma crise econômica com uma alta taxa de inflação, recessão e escassez de bens básicos, da qual chavistas e opositores se culpam uns aos outros.

No entanto, há uma semana não se pode falar dos resultados de pesquisas de boca de urna, mas, em princípio, é confirmada a maioria da oposição.

A jornada eleitoral começou com diversas atividades do chavismo transmitidas pela rede de televisão estatal, especialmente declarações de autoridades e candidatos ligados ao presidente Nicolás Maduro, que destacaram que o transporte público é hoje gratuito para facilitar o deslocamento dos eleitores.

A presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, declarou à emissora estatal “VTV” que a dez minutos das 6h, “quase 100% dos operadores das máquinas de votação e os técnicos de sistemas” estavam em seus postos, e que “às seis em ponto 100% da plataforma tecnológica” operacional estava preparada.

O direito ao voto é facilitado pelo chamado “Plano República” da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), que é ativado às vésperas de qualquer eleição na Venezuela, e que nesta ocasião mobilizou por todo o país 163 mil soldados, além de outros 25 mil da reserva.

O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, alertou no sábado que foi detectada na fronteira com a Colômbia uma “intencionalidade deliberada” de violência paramilitar com a intenção de prejudicar as eleições parlamentares, sem proporcionar mais detalhes.

O general de Exército, também responsável pelo Comando Estratégico Operacional da FANB, lembrou que em vários municípios fronteiriços com a Colômbia está em vigor desde agosto o estado de exceção, uma medida decretada pelo governo de Maduro em sua luta contra o contrabando e o crime organizado.

Além do estado de exceção, o governo venezuelano decretou o fechamento das passagens de fronteira em dois terços dos 2.219 quilômetros compartilhados com a Colômbia e onde agem narcotraficantes.

Crise na Venezuela

A crise de desabastecimento que acomete o país é bastante complexa. Cerca de 75% dos itens de cesta básica estão em falta nos supermercados. Há filas todos os dias para que os venezuelanos possam comprar itens substanciais. E isso não ocorre apenas em bairros mais pobres de Caracas.

Quanto à violência, a questão é bastante debatida e, inclusive, há um toque de recolher não oficial em Caracas por medo da violência urbana. As ruas ficam completamente vazias e a crise é sentida diariamente.

*Informações da repórter Ana Carolina Peliz, direto de Caracas, na Venezuela