Chacina de cinco jovens após emboscada ainda levanta muitos mistérios

  • Por Estadão Conteúdo
  • 12/11/2016 16h10
SP - ENTERRO JOVENS/CEMITÉRIO VILA ALPINA - GERAL - Velório e enterro dos quatros jovens mortos em uma chacina no Cemitério da Vila Alpina, na Zona Leste de São Paulo, SP, neste sábado (12). Jonathan Moreira Ferreira, de 18 anos; César Augusto Gomes Silva, de 19; Caique Henrique Machado Silva, 18; Robson Fernando Donato de Paula, 16, que é cadeirante, e Januário desapareceram quando se dirigiam a uma festa em Ribeirão Pires, no ABC Paulista. 12/11/2016 - Foto: PETER LEONE/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOMulher chora durante enterro no Hospital Vila Alpina dos cinco chacinados após desaparecerem quando iam a Ribeirão Pires

Para a Secretaria de Segurança, os assassinos de cinco homens mortos em chacina na Grande São Paulo alteraram a cena do crime para desviar o foco das investigações. A afirmação é do titular da pasta, Mágino Alves Barbosa Filho, que concedeu entrevista coletiva nesta sexta-feira (11) para divulgar algumas informações sobre o caso.

O enterro de quatro das cinco vítimas ocorre neste sábado no Cemitério Vila Alpina, em São Paulo, em meio a grande comoção. Dezenas de familiares e amigos compareceram ao local, lotando dois ônibus municipais utilizados para eles chegarem até o cemitério. Parentes pedem justiça e descartam a vingança contra os autores do crime. Ouça todos os detalhes no relato do repórter Jovem Pan AQUI.

A principal linha de investigação adotada pela polícia é de que os assassinos queriam vingar a morte de um GCM de Santo André, Rodrigo Lopes Sabino, morto num latrocínio em vinte e quatro de setembro. Na noite da última quinta, um guarda civil da mesma corporação, Rodrigo Gonçalves Oliveira, foi preso suspeito de participação na chacina.

Depois da morte do colega, ele se incumbiu de tentar encontrar os responsáveis pela morte e conseguiu, por meio de um informante, descobrir a identidade de dois suspeitos. Eles são duas das vítimas da chacina: Caíque Henrique Machado Silva, de 18 anos, e César Augusto Gomes da Silva, de 19.

A emboscada

A diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, delegada Elisabete Sato, conta que o GCM Oliveira mantinha um perfil falso na rede social Facebook no nome de uma mulher e atraiu a dupla. Com isso, ele, se passando pela mulher, convidou os dois para um churrasco num sítio em Ribeirão Pires e pediu para que eles levassem alguns amigos no dia vinte e um de outubro, quando aconteceu o desaparecimento.

Em depoimento à polícia civil, o GCM Oliveira disse que teria apenas atraído os jovens a uma avenida em Ribeirão Pires para depois prendê-los.

Só que ele afirma que o grupo não teria chegado ao local e por isso acabou indo embora. A delegada Elisabete Sato considera pouco provável que o guarda não tenha se envolvido nas execuções.

Busca desencontrada

A secretaria revelou que um morador da região da estrada do Taqurussu, em Mogi das Cruzes, já tinha avistado urubus rondando a área onde foram deixados os corpos e também visto um pé humano em 29 de outubro (oito dias após o desaparecimento) e chamou a polícia para que averiguassem a situação.

A polícia militar foi mobilizada, mas naquela primeira averiguação simplesmente não encontrou o ponto indicado onde estariam os restos mortais das vítimas. Foi preciso que o morador chamasse de novo a PM, que somente numa segunda averiguação no domingo encontrou o local onde os cadáveres foram abandonados pelos assassinos.

O corregedor da Polícia Militar, coronel Levi Anastácio Félix, diz que a corporação está apurando por que não foi possível encontrar os corpos no primeiro chamado, o que facilitaria as investigações.

Ao redor dos corpos, quando a PM de fato os encontrou, havia cartuchos de balas calibre .40 e calibre 12, que teriam uso reservado de forças policiais.

O secretário estadual da segurança pública de São Paulo, Mágino Alves Barbosa Filho, afirma que o morador da região que primeiro encontrou a cena do crime não tinha avistado restos de munições. O secretário diz que ficou claro para ele que “estavam armando” uma cena que culpasse os PMs.

Uma hipótese levantada é de que o GCM Oliveira tenha plantado os cartuchos no local, uma vez que era armeiro e instrutor de tiro da Guarda Civil Municipal de Santo André.

Nesta sexta-feira, o Instituto Médico Legal concluiu a identificação dos corpos das vítimas da chacina e todos eles correspondem aos das pessoas desaparecidas.

São eles: Jones Ferreira Januário, de trinta anos, Robson Fernando Donato de Paula, de dezesseis, Jonathan Moreira Ferreira, de dezoito, Caíque Henrique Machado Silva, de dezoito, e César Augusto Gomes da Silva, de dezenove.

Os corpos devem ser sepultados neste fim de semana.

Reportagem de Tiago Muniz