Chavismo denuncia plano de magnicídio e envolve embaixador dos EUA em Bogotá

  • Por Agencia EFE
  • 28/05/2014 17h14

Caracas, 28 mai (EFE).- A direção política do chavismo fez nesta quarta-feira novas denúncias de planos de “magnicídio” e “golpe de Estado” contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, nas quais envolveu, entre outras, a ex-deputada opositora Maria Corina Machado e o novo embaixador dos EUA na Colômbia, Kevin Whitaker.

O prefeito de Caracas, Jorge Rodríguez, dirigente nacional do Partido Socialista (PSUV), apresentou como provas vários e-mails supostamente enviados por Maria a políticos de oposição como Diego Arria e Henrique Salas Romer e que supostamente fazem parte de uma “investigação penal”.

“Denunciamos que há um complexo plano dirigido para acabar com a paz deste país que inclui, em primeiro lugar, a tentativa de magnicídio (…) da extrema-direita venezuelana para tentar o assassinato do presidente Nicolás Maduro junto com um golpe militar em evolução que felizmente foi desativado”, afirmou Rodríguez.

Esse magnicídio “promoveria o transbordamento da violência e daria oportunidade para que a ingerência estrangeira se impusesse”, acrescentou Rodríguez em entrevista coletiva acompanhado pela direção do partido, incluindo o vice-presidente, Jorge Arreaza, o presidente do parlamento, Diosdado Cabello, e a primeira-dama, Cilia Flores.

Em uma das mensagens, enviada entre direções sem nomes de pessoas e atribuída por Rodríguez a Maria, a ex-deputada se dirige supostamente ao advogado Gustavo Tarre para dizer: “já Kevin Whitaker me reconfirmou o apoio e indicou os novos passos”.

“Sabia o departamento de Estado dos EUA que a extrema-direita venezuelana quando tenta seus eventos criminosos (…) pede instruções e autorização a um oficial do departamento de Estado americano? O senhor presidente Barack Obama sabe disso?”, se perguntou Rodríguez.

Em outra suposta mensagem de Maria ao ex-diplomata venezuelano Diego Arria, declarado opositor ao governo, ela diz: “já acho que chegou a hora de acumular esforços, fazer as chamadas necessárias e obter o financiamento para aniquilar Maduro”.

O dirigente chavista afirmou que estas mensagens e outras provas que, assegurou, têm mas não foram divulgadas ainda demonstram que “as chamadas para os protestos estudantis denominados guarimbas (distúrbios e barricadas populares) não foram de modo algum protestos espontâneas”.

Rodríguez indicou que esses protestos, que ocorrem desde fevereiro, seriam uma das fases do “golpe contínuo” contra Maduro, que em seus outros períodos incluiria o golpe de Estado abortado, do qual, disse, oferecerão mais detalhes nos próximos dias, e a tentativa de magnicídio.

Além disso, demonstrariam, na sua opinião, “o envolvimento pelo menos de um funcionário do Departamento de Estado, um altíssimo funcionário do Departamento de Estado, embaixador na Colômbia” nos planos desestabilizadores.

Hoje precisamente a Câmara dos Representantes dos EUA deve votar uma moção dos republicanos que pede ao governo de Barack Obama que imponha sanções contra membros do governo venezuelano suspeitos de violar os direitos humanos.

“Nós queremos convocar os representantes da Mesa da Unidade Democrática (MUD) opositora para uma reunião para apresentar todas esta provas e que eles digam se são partícipes deste plano magnicida criminoso contra o povo da Venezuela”, disse Rodríguez.

A Venezuela é palco de protestos contra o governo há mais de três meses que em algumas ocasiões derivaram em incidentes violentos que deixaram 42 mortos, mais de 800 feridos e centenas de processados.

O Executivo sustenta que estas manifestações são organizadas com a finalidade de desestabilizar o governo e promover uma saída fora da Constituição venezuelana, algo que a oposição nega.

Desde o ano passado, o governo vem denunciando de maneira reiterada planos de magnicídio e de tentativa de golpe de Estado na Venezuela de diverso tipo e nos quais envolveu os Estados Unidos e o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe. EFE

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