Chilenos vão às ruas para protestar contra construção de hidrelétrica

  • Por Agencia EFE
  • 02/08/2014 18h44

Milhares de pessoas se reuniram neste sábado (2) no centro de Santiago do Chile para protestar contra a construção de um projeto hidrelétrico em uma bacia fluvial próxima à capital chilena por parte da empresa AES Gener.

Segundo os manifestantes, o projeto, que inclui a construção de duas centrais para gerar 531 megawatts (MW), com um investimento de mais de US$ 2 bilhões, interfere na paisagem, no patrimônio e nos recursos naturais da cidade.

O projeto pretende usar as águas provenientes dos rios Volcán, Yeso e Colorado, na região de Cajón del Maipo, ao sudeste de Santiago, as quais, segundo a empresa, serão integralmente devolvidas aos seus leitos.

A devolução de água fará-se águas em cima das comportas da empresa de água potável Águas Andinas, a principal abastecedora de Santiago, e das captações dos agricultores para a irrigação, assinalou a AES Gener.

Os manifestantes, ligados a mais de 70 organizações ambientalistas, sociais e de moradores da Cajón del Maipo, marcharam pacificamente pelo centro de Santiago, desde a Praça Itália à avenida Balmaceda, para exigir a paralisação do projeto.

O projeto “vai a intervir na paisagem, no patrimônio da cidade e nos recursos naturais em função dos interesses econômicos e dos interesses mineradores”, disse Rosario Carvajal, presidente da Associação Chilena de Bairros e Zonas Patrimoniais.

Neste caso, Rosario se referia ao fato de que parte da energia produzida nas novas centrais, chamadas Las Lajas e Alfalfal II, será usada para abastecer a mina Los Pelambre, do grupo Luksic, situada na região de Coquimbo, a cerca de 400 quilômetros ao norte de Santiago.

A manifestação também contou com a presença do ex-candidato presidencial ecologista Alfredo Sfeir, que exigia “uma política relacionada aos recursos naturais” e questionava “quem teria propriedade sobre estes recursos”.