Chuvas castigam província de Buenos Aires e provocam críticas contra governo

  • Por Agencia EFE
  • 12/08/2015 19h18

Luján (Argentina), 12 ago (EFE).- Casas alagadas, bairros sem luz, pessoas percorrendo as ruas em barcos e estradas bloqueadas são alguns dos problemas registrados nesta quarta-feira na província de Buenos Aires, causados por fortes chuvas que deixaram três mortos e milhares de desabrigados, enquanto crescem as críticas ao governo.

Mais de 10 mil moradores da província abandonaram suas casas pelas inundações, apesar de o governo não saber qual é o número total de evacuados. Muitos buscaram abrigo na casa de parentes e amigos, complicando a apuração oficial, explicou à Agência Efe o diretor da Defesa Civil de Buenos Aires, Luciano Timerman.

A imprensa local afirma que mais de 20 mil estão desabrigados.

“Está caindo água e há pessoas que começaram a voltar para as suas casas”, disse Timerman, apesar de as autoridades manterem o alerta por fortes ventos vindos do sudeste do país, que impedem o escoamento normal dos rios.

A cidade mais afetada é Salta, onde o rio que corta a região registrou uma alta histórica de 9,3 metros e há 700 evacuados, além de milhares que abandonaram suas casas de forma preventiva.

Em Luján, a cerca de 60 quilômetros ao oeste da capital argentina, o rio de mesmo nome subiu até a emblemática basílica da cidade. Os bombeiros estimam que há cerca de 500 desabrigados e mais de 1.300 famílias afetadas pelas inundações.

As equipes de resgate usam embarcações para tirar os moradores de suas casas, já que muitos preferem ficar nos imóveis inundados por temerem roubos. Outros seguem em cima dos telhados das edificações com medo de morrerem de hipotermia.

Um dos que usavam uma embarcação para circular pelas ruas inundadas era Francisco Marcenaro, cuja casa fica próxima à basílica de Luján, um dos santuários mais importantes da América do Sul e o maior centro de peregrinação da Argentina.

A avenida que desemboca na entrada do imponente templo permanece inundada e coloca em risco os museus próximos, onde se encontra, por exemplo, o avião “Plus Ultra”, o primeiro a realizar a travessia atlântica entre Espanha e Argentina.

O governo e várias ONGs começaram a distribuir alimentos, cobertores, colchões e roupas entre os desabrigados, que também receberão benefícios sociais nos próximos três meses.

A população afetada e os líderes da oposição criticaram hoje a ausência do governador da província de Buenos Aires e candidato à presidência do país, Daniel Scioli, que tem o apoio da atual mandatária, Cristina Kirchner. Vencedor das primárias realizadas no último domingo, ele partiu ontem à noite em viagem para a Itália.

“O futebol soma mais votos do que os esgotos”, disse à imprensa local Domingo Pisono, pároco de Salta, acrescentado que “a corrupção não só mata, mas também inunda”, porque as obras orçadas para os rios não foram adiante.

Já o prefeito de Buenos Aires e principal candidato da oposição, Mauricio Macri, afirmou em entrevista coletiva que alguns prefeitos da província se queixaram de um “certo abandono” do governador.

Outro candidato opositor, Sergio Massa, classificou a viagem de Scioli como “inoportuna”.

Frente à avalanche de críticas, o governador da província de Buenos Aires adiantou o retorno e chegará à Argentina nas próximas horas, anunciou seu chefe de campanha, Jorge Telerman.

“Faltam muitas obras. Aqui todos aparecem na época das eleições. Prometem muitas coisas e nunca cumprem. É um desastre”, afirmou Julio Giglione, um comerciante de Luján.

Os moradores afirmam que faltam planos estruturais para limpar os rios e obras para melhorar o escoamento. A situação se repete ano após ano sem que o governo crie soluções para resolvê-la.

As fortes chuvas, que tiveram seu ápice entre o domingo e a segunda-feira, chegaram a 230 milímetros de água na província de Buenos Aires, mais do que toda a média de agosto.

O temporal castiga também a província de Santa Fé, no centro do país, onde há 300 desabrigados. Na capital argentina, um homem foi levado pela correnteza ao cair em um rio.

Segundo o Serviço Meteorológico Nacional, os ventos, com rajadas de até 70km/h, persistirão até amanhã. Deve chover de forma intermitente até a sexta-feira no norte da província de Buenos Aires. EFE

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