CNT apresenta plano a Levy que sugere investimento de R$ 1 tri em transportes
Rio de Janeiro, 27 mai (EFE).- O setor privado pode fornecer a metade dos investimentos avaliados em R$ 1 trilhão que o Brasil precisa nos próximos anos para melhorar sua infraestrutura de transporte, segundo um estudo divulgado nesta quarta-feira pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).
“Metade desses recursos podem ser cobertos pela iniciativa privada, sem necessidade de sacrificar o orçamento público”, afirmou o presidente da CNT, Clesio Andrade, em declarações a jornalistas após a reunião em que apresentou o relatório ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
O chamado Plano de Transporte Logístico da CNT calcula que o Brasil precisa de R$ 1 trilhão de investimento nos próximos anos em estradas, ferrovias e centros de armazenagem, entre outras infraestruturas, para melhorar o setor de transportes terrestres.
De acordo com Andrade, a contribuição do setor privado na forma de concessões para construir ou administrar vias de transporte é “uma grande alavanca para a economia” no atual momento de crise, que obrigaram o governo a anunciar um corte recorde de gastos públicos para ajustar suas contas.
Segundo ele, a participação do setor privado compensaria a falta de recursos públicos e incentivaria a economia na atual conjuntura.
“Mostramos ao ministro que, diante da necessidade do ajuste fiscal e por enquanto recessivo, precisamos de algumas vitaminas, como o plano que apresentamos, para impulsionar a economia. Seria uma forma de minimizar a recessão e de ativar a economia”, afirmou Andrade em referência as projeções que mostram que o país pode ter uma contração do PIB de 1,2%.
Andrade explicou que o plano inclui cerca de dois mil projetos para melhorar a infraestrutura de transportes terrestres em todo Brasil.
Dos investimentos, R$ 200 bilhões estariam destinados a estradas e R$ 150 bilhões a ferrovias.
“Também são necessários investimentos em sistemas multimodais de transporte e em terminais de armazenamento”, afirmou.
O dirigente acrescentou que, com a proposta, a CNT pretender ajudar o governo a ter uma visão mais sistêmica de todos os sistemas de transporte e de suas possibilidades de integração.
“Não estamos falando de transporte de caminhão, ônibus ou ferrovia, mas de qual é a melhor forma, e mais barata, de coletar um produto e transportá-lo até um porto”, afirmou.
Andrade se referiu à disposição das empresas privadas de investir em infraestrutura de transportes no Brasil poucos dias depois que a presidente Dilma Rousseff anunciar que o governo apresentará em junho um novo plano de concessões ao setor privado nas áreas de infraestrutura de aeroportos, portos e ferrovias, entre outras.
Segundo Dilma, a receptividade do setor privado às concessões oferecidas até agora pelo Brasil no setor de transportes demonstrou que o país “tem a maturidade suficiente” para oferecer negócios “produtivos”, sem que haja “desequilíbrios” na relação entre as empresas e o Estado. EFE
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