Colégio francês colhe amostras de DNA de 527 pessoas para investigar estupro

  • Por Agencia EFE
  • 14/04/2014 13h24

Paris, 14 abr (EFE).- Um colégio católico particular em La Rochelle, no oeste da França, começou nesta segunda-feira a colher mostras de DNA a 527 pessoas para investigar o estupro de uma de suas alunas, de 16 anos, em 30 de setembro no banheiro do centro educativo.

A ampla operação, que durará até quarta-feira e acontecerá nas próprias instalações do liceu Fénélon-Notre Dame, onde estudam 1.300 alunos, foi classificada como “desproporcional” pela Liga de Direitos Humanos.

Os investigadores extrairão o DNA de uma amostra de saliva e compararão os resultados com restos genéticos que o agressor deixou sobre a roupa da adolescente quando a estuprou nas instalações do liceu, com as luzes apagadas e sem que ela pudesse reconhecê-los.

As análises, cujo custo total passará de 5 mil euros (cerca de R$ 2,26 mil), serão feitas em um laboratório de Lyon (leste), e seus resultados se conhecerão dentro de um mês e posteriormente os que deram negativo serão destruídos.

Ao todo, 475 estudantes, 31 professores e outros 21 funcionários do centro farão o exame, depois que a promotoria comparou em vão o DNA do suposto estuprador com os dos colegas da menina e com o arquivo genético nacional automatizado.

No caso dos menores se necessitou um duplo consentimento, o seu próprio e o de seus pais, para que se submetam ao exame genético, que policiais à paisana realizarão.

Os investigadores não poderão obrigar ninguém a se submeter ao teste, mas avisam que aqueles que se negarem se tornarão “suspeitos potenciais” que se poderia revistar e deter.

O presidente da Liga de Direitos Humanos, Pierre Tartakowsky, considerou que a medida é “desproporcional, ameaçadora e traumatizante” porque “os que não têm nada recriminável não podem se negar”.

“Por que a rejeição se tornaria uma confissão de culpa?”, questionou Tartakowsky.

Por sua vez, a procuradora do caso, Isabelle Pagenelle, disse hoje em entrevista coletiva que “por enquanto ninguém se negou” a se submeter aos testes, que foram feitos “sem dificuldades, com calma e serenidade”.

A representante do Ministério Público defendeu o procedimento com o argumento que há “uma probabilidade muito alta” que o agressor seja do colégio.

Trata-se de uma iniciativa pouco comum, mas com precedentes na França em 1997, 2003 e 2004, sempre em casos de estupros e desaparecimentos de menores. EFE