Colômbia: Quase 8 mil menores foram recrutados por grupos ilegais em 30 anos

  • Por Agencia EFE
  • 12/02/2015 17h08

Bogotá, 12 fev (EFE).- Pelo menos 7.722 crianças de ambos sexos foram vítimas de recrutamento por parte de grupos armados ilegais na Colômbia desde 1985 até o dia 1º de novembro de 2014, segundo um estudo divulgado nesta quinta-feira, por causa do Dia Internacional contra o Recrutamento Infantil.

O relatório, divulgado pela agência Jornalismo Aliado da Infância, do Desenvolvimento Social e da Investigação (Pandi), mostra que a maioria destas crianças foram cooptadas antes dos 14 anos de idade e que 35,8% delas procedia de entornos com problemas familiares.

Além disso, reflete que estes menores também iniciaram antes sua vida sexual, já que 70% de meninos e meninas recrutados pelos grupos armados ilegais mantiveram sua primeira relação antes dos 14 anos.

Esse dado mostra que seu início sexual se deu possivelmente com familiares antes de incorporar-se ao conflito armado, acrescentou o estudo.

O relatório revela ainda que um dos grupos mais afetados são os indígenas, que representam 3% da população total colombiana, já que no total 14% dos menores recrutados pertencem a estas comunidades.

Perante estes dados, a diretora do Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar (ICBF), Cristina Plazas Michelsen, pediu hoje aos grupos armados que deixem de lado o recrutamento de menores e respeitem os direitos das crianças, que prevalecem sobre os demais.

Plazas Michelsen se expressou assim em um ato realizado em San Vicente de Caguán, tradicional bastião das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) situado no departamento de Caquetá, e acrescentou que “os direitos das crianças são sagrados”.

O ICBF, através de seu programa de Atenção Especializada, conseguiu recuperar mais de 5.600 menores destes grupos, dos quais 78% asseguraram que tinham participado ações que puseram sua vida em risco.

Justamente hoje as Farc anunciaram nos diálogos de paz de Havana que não incorporarão menores de 17 anos a suas fileiras, o que eleva em dois anos a idade mínima de seus guerrilheiros.

O chefe negociador do governo, Humberto de la Calle, elogiou essa decisão, mas considerou que é um passo “insuficiente” e pediu que a guerrilha abra mão dos menores que atualmente a integram. EFE