Colonos menonitas expulsam mil trabalhadores rurais de terras no Paraguai

  • Por Agencia EFE
  • 24/11/2014 20h49

Assunção, 24 nov (EFE).- Cerca de mil trabalhadores rurais que viviam em terras pertencentes ao Instituto de Desenvolvimento Rural e da Terra (Indert) do Paraguai foram expulsos de casa e tiveram suas plantações queimadas por colonos menonitas, denunciou nesta segunda-feira o senador opositor Luis Alberto Wagner.

Os colonos ingressaram nas terras do Indert acompanhados de uma comitiva de 200 policiais e de um oficial de justiça do departamento de Caaguazú, segundo Wagner.

Juntos eles atearam fogo nas casas e nas lavouras na frente de cerca de 200 famílias camponesas, que ocupavam mais de 2 mil hectares, localizados no distrito de Pastoreo.

Os camponeses ingressaram há nove meses nas terras e já tinham as lavouras em ponto de colheita, com apoio do Indert e do Ministério da Agricultura do Paraguai. Agora estão refugiados em barracadas próximas ao limite da propriedade.

“A Polícia não realizou o protocolo devido para despejar os compatriotas, que precisamente está previsto para que não ocorram casos como este”, disse o senador à Agência Efe.

Segundo senador, o oficial de justiça de sobrenome Vergara foi o encarregado de cumprir a ordem do juiz Roberto Villamayor, mas jamais “mostrou nenhuma ordem (judicial) aos habitantes e só no sábado enviou à chefia da Polícia de Coronel Oviedo a dita ordem”

“Este mesmo Vergara foi quem ateou fogo às casas que eram demolidas com os tratores dos menonitas”, garantiu o senador.

Os menonitas, alguns de origem alemã, russa, holandesa, canadense e americana, possuem grandes extensões de terra no Paraguai, concedidas durante o regime ditatorial de Alfredo Stroessner (1954-1989). A maior parte deles se dedica à produção de soja e gado.

Segundo a Federação Nacional Camponesa (FNC), cerca de 1 milhão de camponeses foram expulsos de suas terras no Paraguai, sendo obrigados a emigrar para as cidades nos últimos dez anos por causa de conflitos derivados pela concentração de propriedades em poucas mãos. EFE sct/lvl