Comer, cozinhar, socializar: Roma mostra como comida define espaços públicos

  • Por Agencia EFE
  • 26/07/2015 06h57

María Salas Oraá.

Roma, 26 jul (EFE).- Desde que Adão e Eva foram expulsos do Paraíso por morder uma maçã até o atual domínio da cozinha vanguardista nos restaurantes mais modernos, a alimentação configurou espaços públicos e privados e determinou a vida social dos povos.

É a mensagem da exposição “Food: Dal cucchiaio ao mondo” (Alimentação, da colher ao mundo), em cartaz até 8 de novembro, em Roma, no MAXXI Museu nacional das artes do século XXI, que aborda a alimentação do ponto de vista do espaço social.

“A mostra faz um percurso multidisciplinar através do espaço social dos alimentos, desde a pequena escala do corpo aos rituais, do ambiente doméstico, das ruas, da cidade, da paisagem e da geopolítica dos cenários mundiais”.

E passa por obras de arquitetura, esculturas, desenhos gráficos e fotografias que “dão aos alimentos a importância que cabe na configuração do espaço de vida, das relações pessoais e da comunidade”, nas palavras dos promotores da exposição.

Para isso, revê menus típicos de café da manhã em diferentes partes do mundo e compara as primeiras cozinhas, que mudaram as relações familiares, com as atuais, cheias de eletrodomésticos, e com as fornalhas vanguardistas dos restaurantes mais modernos e luxuosos.

Também mostra o plano de uma cozinha modernista alemã que, já em 1926, marcou as linhas mestras das cozinhas atuais, com diferentes espaços de trabalho e móveis integrados que agora são comuns, mas que na época foram uma verdadeira revolução.

No espaço aberto, os alimentos chegam à rua e transformam o espaço público em um lugar social, porque na rua se come, se compra e se vende alimentos que formam “toda uma arquitetura da cidade” ao redor da alimentação.

O curador da mostra, Pippo Ciorra, disse à Agência Efe que “no corpo, na cidade, na casa, na cidade e na paisagem, os alimentos são um dos principais agentes através dos quais as pessoas projetam e vivem o espaço”.

“Uma liderança que sempre existiu, que começou com Adão e Eva, que foram expulsos por terem mordido uma maçã, e continua até ideias utópicas do futuro, que combinam a agricultura e a cidade, um tema muito atual”, disse.

Ciorra explicou que os mercados são um exemplo de domínio do espaço social por parte dos alimentos.

Nos meses em que Milão, no norte da Itália, recebe a Exposição Universal, centrada na agricultura e na alimentação com o lema “Alimentar o planeta. Energia para a vida”, a cidade de Roma também se transforma em palco para a mesma mensagem.

O curador geral da ONU na Expo, o espanhol Eduardo Rojas, disse à Efe que combinar a mensagem do evento com exposições culturais como a apresentada no MAXXI permitirá “que o esforço chegue a muito mais pessoas”.

“A colaboração das Nações Unidas nesta mostra é exemplo de outro tipo de aliança, de mecanismos para que a mensagem chegue a mais lugares do mundo e a mais pessoas”, comentou.

Rojas lembrou que a arte “pode ajudar a transmitir que existem 800 milhões de pessoas passando fome, que há problemas relacionados com aspectos ambientais da produção de alimentos e que desperdiçamos um terço dos alimentos”.

“O âmbito alimentar enfrenta desafios substanciais, como incorporar mais ativamente as mulheres nos processos produtivos, e enfrentar os problemas da posse da terra”, lembrou.

“São aspectos com certa complexidade”, reconheceu Rojas, ao incluir também a questão da obesidade, “especialmente nos países emergentes”.

Uma complexidade que, através da arte, pode ser abordada e ser compreendida pelo público, que entenderá como a alimentação condiciona a vida em sociedade e precisa de atenção “prioritária”. EFE

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