Comércio da América Latina com a Ásia representa 25% do total da região

  • Por Agencia EFE
  • 06/03/2015 22h52

Cartagena (Colômbia), 6 mar (EFE).- A troca comercial entre América Latina e Ásia cresceu com força nos últimos anos e na atualidade representa 25% do total da região, disse nesta sexta-feira o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno.

“O comércio da América Latina com a Ásia passou de 8% no ano 2000 a 25% em 2014, mas esse comércio não está repartido”, declarou Moreno em um debate do Diálogo de Cartagena, que analisa nesta cidade do Caribe colombiano as relações entre os países dos dois lados da Bacia do Pacífico.

O presidente do BID destacou que grande parte dessa troca de bens e serviços é absorvido pela China, que é o principal parceiro comercial do Brasil e com grande peso em outros países da região, mas disse que também há mais mercados grandes, como o Japão e a Coreia do Sul, aos quais é preciso olhar com atenção.

“Do ponto de vista global, América Latina e Ásia já são potências econômicas, são integrados em relação ao comércio e à transferência de informação”, expressou por sua parte o subdiretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Min Zhu.

O funcionário do FMI acrescentou que o comércio entre América Latina e Ásia nos últimos 14 anos aumentou de US$ 20 bilhões a US$ 200 bilhões.

“Os laços internacionais e o comércio foram crescendo e este continente (América Latina) é integrado verticalmente com a cadeia de fornecimento da Ásia”, comentou o funcionário chinês do FMI.

Os participantes destacaram a necessidade de investir mais em educação, tecnologia, desenvolvimento social e melhorias em segurança para aumentar a competitividade das economias latino-americanas e manter o ritmo de crescimento do comércio com a Ásia.

Segundo a presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado mexicano, Gabriela Cuevas, seu país tem Tratados de Livre-Comércio (TLC) com 46 nações, focados no comércio e nos investimentos, mas “falta dar um passo que tem a ver com traduzi-lo em desenvolvimento humano”.

“A América Latina não se distingue por sua inovação, o registro de patentes nem pelo número de estudantes em grandes universidades”, lamentou a senadora do México, cujo país, junto com o Chile, Colômbia e Peru, faz parte da Aliança do Pacífico, considerada por especialistas o mais bem-sucedido mecanismo de integração regional.

A esse respeito, Moreno ressaltou a importância da educação e assinalou que “não é só um tema dos Estados, mas da sociedade em geral” e como tal deve ser tratado com uma ótica integral.

“Na próxima década vamos ter a maior revolução tecnológica que tenhamos visto até o momento, que vai permitir que o ser humano seja cada vez mais produtivo e os países latino-americanos devem estar preparados”, acrescentou.

No debate também participou o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Carlos Pinzón, que disse que se a América Latina quer que o investimento estrangeiro “seja permanente e sustentável” para manter o crescimento comercial, é necessário “conseguir avanços muito mais rápidos nos próximos anos em matéria de segurança cidadã e na luta contra o crime organizado”.

“Na Ásia os números de segurança cidadã são os melhores do mundo, enquanto na América Latina é onde as pessoas se sentem mais inseguras”, ressaltou.

Com Pinzón concordou o embaixador para Assuntos de Segurança Nacional da Coreia do Sul, Chung Min Lee, que destacou que assim como a educação, a segurança é um tema importante para os países asiáticos na hora de investir em outras regiões do mundo.

“Quando falamos de progresso e desenvolvimento devemos lembrar que a democracia, os direitos humanos e a aplicação da lei são fundamentais”, explicou.

O Diálogo de Cartagena, uma reunião de três dias organizada pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês) e o Ministério da Defesa da Colômbia, será inaugurado oficialmente mais tarde pelo presidente Juan Manuel Santos. EFE

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