Cometas trouxeram à Terra moléculas complexas que ajudaram na criação da vida

  • Por EFE
  • 29/09/2016 15h06
Estrelas desse aglomerado esférico têm muito mais concentração de metais – elementos mais pesados ​​que o hidrogênio e o hélio – do que as encontradas em grupos semelhantesEstrelas “heavy metal” fotografadas pelo telescópio Hubble

Os cometas similares ao 67P/Churyumov-Gerasimenko trouxeram à Terra moléculas orgânicas muito complexas como a acetamida, a acetona, o propanal e o metilo, que contribuíram para a criação da vida.

Esta é uma das principais descobertas científicas da missão Rosetta, que a Agência Espacial Europeia (ESA) apresentou, nesta quinta-feira, 29, em seu centro de controle de operações em Darmstadt, perto de Frankfurt.

A missão termina na próxima sexta, 30, com seu pouso controlado sobre uma região de fossas ativas na “cabeça” do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.

A ESA apresentou os momentos científicos culminantes da missão Rosetta, que começou no dia 2 de março de 2004 e percorreu 6.400 milhões de quilômetros até chegar ao cometa em agosto de 2014.

Rosetta se encontra agora a 600 milhões de quilômetros do Sol e, por isso, já não vai receber energia solar suficiente para continuar em funcionamento.

Essa é mais ou menos a mesma distância à qual se encontrava, em janeiro de 2014, quando a ESA a desligou e entrou em uma espécie de hibernação.

Em relação à Terra, Rosetta se encontra agora um pouco mais longe, a cerca de 700 milhões de quilômetros.

“Chega o momento no qual serão analisados muitos dados, provavelmente durante dez anos mais, resta muito trabalho”, disse à Agência Efe Gerhard Schwehm, que foi diretor da missão Rosetta, entre 2004 e 2013, e cientista do projeto durante 20 anos.

“É muito improvável que a água da Terra tenha vindo de cometas similares ao 67P/Churyumov-Gerasimenko” porque a proporção de água pesada no cometa é muito elevada, três vezes superior à da Terra, acrescentou Schwehm.

É possível que tenham sido os asteroides maiores que trouxeram a água em grande parte à Terra, segundo o cientista alemão.

Uma das perguntas desta missão da ESA era descobrir a importância dos cometas na formação do Sistema Solar.

Rosetta está desde o dia 9 de agosto traçando órbitas elípticas cada vez mais próximas ao cometa e, durante o último sobrevoo, poderia ficar a um quilômetro da superfície, uma distância nunca antes atingida.

A manobra de colisão será realizada, aind anesta quinta, quando Rosetta estiver a uma altitude de 19 quilômetros do cometa.

Com esta manobra, Rosetta tomará a trajetória para colidir com o cometa nesta sexta. A sonda efetuará uma lenta queda livre em direção ao cometa para maximizar o número de medições científicas possíveis e enviá-las à Terra antes do impacto.

Foi uma surpresa para os cientistas encontrarem, no cometa 67P, oxigênio em estado muito puro, pois normalmente não é encontrado assim, já que é um elemento muito reativo e se mistura facilmente com outros elementos.

Isto significa que o oxigênio estava no cometa no começo do Sistema Solar, há 4,6 bilhões de anos.

O cometa é muito poroso e tem uma densidade muito baixa, de 0,5 gramas por centímetro cúbico, razão pela qual flutuaria na água como uma rolha, segundo Schwehm.

No fechamento da missão serão apagados todos os sistemas a bordo de Rosetta e serão paralisadas as linhas de frequência que utilizou para que possam ser usadas para outras missões sem que se produzam interferências, explicou.

Os cientistas da ESA está muito contentes com os resultados da missão, que mostrou que estão na primeira linha junto com a Nasa na pesquisa planetária, comentou Schwehm.

Em sua longa viagem através do Sistema Solar, Rosetta recebeu o impulso gravitacional da Terra e de Marte porque não existe um foguete lançador capaz de enviar a sonda diretamente até o cometa.

Em novembro de 2014 o módulo Philae aterrissou sobre a superfície gelada do cometa 67/P Churyumov-Gerasimenko, após separar-se da sonda-mãe Rosetta.