Comissão iraquiana responsabiliza al-Maliki por Mossul estar nas mãos do EI

  • Por Agencia EFE
  • 16/08/2015 15h17

Bagdá, 16 ago (EFE).- Uma comissão de investigação criada pelo parlamento iraquiano apontou neste domingo o ex-primeiro-ministro Nouri al-Maliki como o principal responsável pela queda da cidade de Mossul nas mãos do grupo radical Estado Islâmico (EI) em junho de 2014.

Uma fonte parlamentar iraquiana disse à Agência Efe que a comissão encarregada de investigar o ocorrido no ano passado na cidade de Mossul, capital da província de Ninawa, terminou hoje seu trabalho e entregou os resultados das investigações à presidência do parlamento.

O relatório também questiona o trabalho de outros 30 responsáveis, entre eles líderes militares e políticos, como o ex-governador de Ninawa Azil al Nuyaifi.

Em entrevista coletiva, o presidente desta comissão, Hakem al Zamili, explicou que “a causa da queda de Mossul permitiu que fossem cometidos crimes nunca vistos na história por parte de grupos terroristas como o EI, que causaram estragos no país e mataram suas pessoas”.

O presidente acrescentou que a queda dessa cidade do norte do Iraque foi responsável pelo sequestro de milhares de mulheres, pelo assassinato de dezenas de milhares de civis e, entre outras, pelo massacre de Spiker, no qual os extremistas mataram centenas de soldados das Forças de Segurança iraquianas em junho de 2014.

“Mais de três milhões de iraquianos deslocados estão vivendo em circunstâncias trágicas”, apontou o responsável iraquiano.

O Iraque está imerso em uma grave guerra contra os jihadistas do EI, que em 10 de junho de 2014 tomaram o controle de Mossul, a segunda cidade do país, e desde ali progrediram por outras zonas do norte, do oeste e do centro, onde declararam um califado e impuseram o terror.

A perda de Mossul suscitou uma profunda crise política no Iraque que desembocou na renúncia forçada de al-Maliki, que foi substituído pelo atual presidente do Governo, Haidar al Abadi.

O resultado desta investigação corre uma semana depois que o parlamento aprovou uma série de medidas que incluem a supressão do cargo de vice-presidente, atualmente ocupado por al- Maliki. EFE