Conflito separatista na Ucrânia está longe de ser resolvido, adverte ONU

  • Por EFE
  • 03/06/2016 12h32
Ucrânia conflito

A crise causada na Ucrânia pelo conflito separatista, no leste de seu território, está longe de ficar resolvida. Bem pelo contrário, as hostilidades e os abusos que sofrem os habitantes perto da chamada “linha de separação” persistem, disse, nesta sexta-feira (3), a ONU.

O aumento do armamento pesado perto da linha de separação e as hostilidades em Avdiivka e Yasynutava, desde o início de março, na região de Donestk, “indicam que a crise está longe de terminar”, realçou a Organização, em seu relatório sobre a Ucrânia em relação com o conflito, que começou há mais de dois anos.

Os observadores internacionais constataram, uma vez mais, que os civis que vivem perto da linha de separação, uma delimitação da região separatista e o resto da Ucrânia, são especialmente vulneráveis às hostilidades.

O mesmo acontece por todo o país, afirmam, no resto dos territórios controlados pelos grupos armados contra o governo de Kiev, com o apoio da Rússia, e onde vivem 2,7 milhões de pessoas.

Essa população está exposta ao risco dos explosivos abandonados e das minas, “que foram responsáveis pela maioria de perdas civis nos últimos meses”.

Segundo o Escritório de Direitos Humanos da ONU, as pessoas mortas em relação ao conflito são 9.371, enquanto os feridos superam os 21,5 mil, em pouco mais de dois anos.

Além disso, o pessoal da ONU documentou vários casos de violência sexual, através de testemunhos sobre a utilização de ameaças de estupro contra pessoas detidas de forma ilegal, sejam homens ou mulheres.

“As ameaças de violência sexual, de dano físico ou de morte contra as mulheres ou sua detenção são utilizadas frequentemente para forçar os detidos a confessarem, renunciarem a seus bens ou como uma condição para garantir sua segurança ou libertação”, afirma o relatório.

De maneira geral, a Organização lamenta que, “nos territórios controlados pelos grupos armados, a lei e a ordem foram derrubadas e as estruturadas ilegais se desenvolveram”.

Os residentes em zonas próximas à linha de separação são facilmente vítimas da situação caótica que impera e que atenta gravemente contra a liberdade de locomoção dos cidadãos.

Segundo apurações, a cada dia cerca de 20 mil pessoas tentam atravessar essa linha e são obrigadas a esperar durante horas em condições precárias.

O perigo se reflete na morte, no final de abril, de quatro civis, enquanto outros oito ficaram feridos por um bombardeio quando esperavam, em um posto de controle, sob uma rota entre Maiopol e a cidade de Donestk.