Constituída comissão internacional para auditar dívida grega
Atenas, 4 abr (EFE).- A comissão internacional de especialistas encarregada de auditar a dívida pública da Grécia foi constituída neste sábado em uma sessão do parlamento, que contou com a presença do primeiro-ministro do país, Alexis Tsipras, e do presidente da República, Prokopis Pavlopoulos.
Em seu discurso de abertura, a presidente do parlamento, Zoe Konstantopulo, destacou a importância de criar a comissão, que servirá para “prestar contas” ao povo e para que a sociedade “conheça a verdade”.
A comissão foi criada por iniciativa de Konstantopulo e tem como objetivo investigar o processo que conduziu à exorbitante dívida grega, que em dezembro alcançou 181% do Produto Interno Bruto.
Segundo Konstantopulo, a dívida é “um sinal dos tempos, mas também o resultado de descuidos, acordos de empréstimos, assim como de contratos corruptos” que permitiram que os “lucros de algumas empresas disparassem”.
“A dívida não é inquestionável”, defendeu a presidente do parlamento. A política disse ainda que uma das tarefas da comissão será determinar se a dívida é legal.
O presidente grego, por sua vez, disse que o “trabalho da comissão contribuirá para entender o que ocorreu com a dívida e como as nações europeias deveriam proceder”.
A comissão, formada por cerca de 30 especialistas internacionais, entre eles a brasileira Maria Lúcia Fattorelli, será coordenada pelo analista político belga Éric Toussaint.
A meta é estabelecer que parte da dívida foi utilizada para o bem comum, e portanto é legal e deve ser paga, e que parte teve um mau uso, e portanto é ilegal, como Konstandopulo explicou ao apresentar a iniciativa há duas semanas.
Toussaint explicou que será preciso determinar se na hora de assinar o primeiro e o segundo plano de resgate grego foram levados em conta “as disposições da Constituição grega, do Tratado de Lisboa e das constituições dos Estados- que concederam 153 bilhões milhões de euros” para a Grécia.
O analista político considerou que os créditos para pagar contratos que se demonstrarem fraudulentos, como os da multinacional alemã Siemens, fazem parte, por exemplo, do que seria a dívida ilegal.
A comissão de analistas deve apresentar seu relatório no final de junho em uma conferência internacional sobre a dívida. EFE
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