Conversa de 20 minutos pode mudar opinião de quem é contra casamento gay

  • Por Agencia EFE
  • 11/12/2014 19h51

Washington, 11 dez (EFE).- Uma conversa de 20 minutos pode mudar a opinião dos eleitores americanos sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, revelou um estudo antecipado nesta quinta-feira pela revista científica Science.

O professor de Ciência Política da Universidade de Colúmbia Donald Green e o doutorando da Universidade da Califórnia (UCLA) Michael LaCour realizaram um experimento nos Estados Unidos para analisar o impacto nos eleitores conservadores ao falar com ativistas homossexuais.

O estudo, intitulado “When contact changes minds: An experiment on transmission of support for gay equality” (“Quando o contato muda opiniões: Um experimento sobre a transmissão de apoio à igualdade para os gays”), foi publicado nesta quinta-feira na versão digital de Science.

Os pesquisadores partiram da premissa que o contato pessoal ao longo do tempo pode reduzir a hostilidade e os preconceitos entre pessoas de diferentes grupos e questionaram se uma discussão breve e ativa daria resultados semelhantes.

O resultado surpreendeu os próprios pesquisadores, já que além de detectar um aumento no apoio ao casamento gay, o efeito se manteve até nove meses após uma única conversa, comprovaram em uma nova consulta.

“Quando aqueles a quem se nega o casamento igualitário têm nomes e rostos, os corações e as mentes se abrem”, indicou LaCour, autor principal do estudo.

LaCour e Green fizeram a pesquisa com uma amostragem de 9.500 eleitores dos distritos eleitorais que apoiaram a proibição do casamento homossexual na Califórnia, especificamente em uma área particularmente conservadora.

O projeto foi iniciado em 2013, período no qual a Corte Suprema deliberava sobre a “Proposição 8” na Califórnia, uma emenda que declara ilegal o casamento entre pessoas do mesmo sexo, e que foi aprovada em um referendo em 2008, pouco depois de o estado ter legalizado essas uniões.

Os pesquisadores dividiram os eleitores de maneira aleatória em vários grupos que receberam um telefonema ou uma visita pessoal de ativistas homossexuais ou heterossexuais para discutir sobre o casamento do mesmo sexo e outros temas.

Os ativistas homossexuais perguntaram sobre o lado bom do casamento, que benefícios viram em familiares e amigos e, no final, revelaram sua orientação sexual e explicaram sua postura; enquanto os pesquisadores heterossexuais mencionaram que uma pessoa próxima deles gay poderia se casar se não existisse esta lei.

Três dias depois, em uma pesquisa de acompanhamento, os analistas detectaram que aqueles que não receberam a visita dos ativistas mantiveram a postura contra, mas entre os que sim, o apoio aumentou oito pontos percentuais.

Três semanas depois, o apoio entre os que receberam a visita dos ativistas heterossexuais voltou a ser negativa, mas entre os que conversaram com um ativista homossexual a mudança de opinião se manteve e, em pesquisas posteriores também.

“Você se esquece da mensagem, mas lembra do mensageiro”, explicou LaCour.

Além disso, os familiares dos eleitores que falaram com um ativista heterossexual não mudaram de opinião sobre o casamento gay, mas, entre que dividem teto com quem falou com um homossexual, o apoio aumentou três pontos percentuais.

“Isto nos sugere que as opiniões são reforçadas em conversas domésticas”, indicou Green.

Em junho de 2013, a Corte Suprema invalidou a “Proposição 8” e uma corte de apelações do nono circuito da Califórnia suspendeu o bloqueio existente sobre a realização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.EFE