Coronel torturador é assassinado na Baixada Fluminense

  • Por Jovem Pan
  • 25/04/2014 16h02
RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL, 25-03-2013, 10h00: O coronel Paulo Malhaes presta depoimento na Comissao da Verdade, no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, na manha desta terca-feira. A audiencia desta terca-feira (25) foi planejada com base na denuncia de Ines Etienne Romeu, dirigente da VPR (Vanguarda Popular Revolucionaria, grupo de luta armada de extrema esquerda) e unica sobrevivente da Casa da Morte, feita ao Conselho Federal da OAB no ano de 1979. Ela tambem tratara sobre as pesquisas da Comissao Nacional da Verdade que apontam associacao entre a Casa da Morte de Petropolis (RJ) e nazistas. A casa era uma prisao clandestina usada por forcas do Exercito para tortura e assassinato de militantes da resistencia durante o regime militar. (Foto: Daniel Marenco/Folhapress, PODER)Coronel Paulo malhães

O coronel reformado do Exército, Paulo Malhães, de 76 anos, foi encontrado morto hoje pela manhã (25) em seu sítio na zona rural de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. De acordo com a polícia, três homens invadiram a casa, amarraram a mulher e o caseiro, e procuraram armas. Durante a ação dos criminosos, o militar foi morto. O corpo do coronel Malhães está no Instituto Médico Legal de Nova Iguaçu, onde será determinada a causa da morte.

Ex-agente do Centro de Informações do Exército, o militar prestou depoimento no dia 25 do mês passado na Comissão Nacional da Verdade, quando admitiu ter torturado, matado e ocultado cadáveres de presos políticos durante a ditadura militar. No depoimento, ele disse não se arrepender de nada e contou como funcionava a Casa da Morte, em Petrópolis, na região serrana, centro clandestino de torturas, onde teriam sido assassinadas 20  pessoas.

O presidente da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, Wadih Damous, disse que a morte precisa ser investigada com rigor, porque o coronel reformado foi agente importante da repressão política e detentor de muitas informações sobre a ditadura.