Cubo mágico de Rubik faz 40 anos encantando com simplicidade complexa

  • Por Agencia EFE
  • 19/05/2014 11h35

Marcelo Nagy.

Budapeste, 19 mai (EFE).- Um brinquedo simples que desafia a humanidade há 40 anos. O cubo “mágico” de Rubik completa quatro décadas transformado em um ícone que também entrou para a era digital e nesta segunda-feira foi homenageado pelo Google com um “doodle” interativo.

O aniversário dos 40 anos do brinquedo não é exatamente hoje, segundo o próprio inventor, o arquiteto húngaro Ernö Rubik, que situa a data de forma genérica na primavera de 1974, enquanto o registro no escritório de patentes aconteceu em 30 de janeiro de 1975.

O Google não foi o único a celebrar o aniversário, o Liberty Science Center de New Jersey (EUA) até o presidente da Comissão Europeia (CE), José Manuel Durão Barroso, entre muitos outros.

A história do cubo mágico, (em húngaro, “büvös kocka”) começou na primavera de 1974, quando Rubik criou seu protótipo – não no formato 3x3x3 como o conhecemos atualmente, mas de 2x2x2.

Os anos seguintes foram marcados pela luta contra a morosidade da burocracia comunista e iniciar a fabricação do cubo, que em 1977 conseguiu que 12 mil unidades chegassem às estantes das lojas de brinquedos do país, segundo o site do inventor húngaro.

Em 1980, somente na Alemanha foram vendidos mais de 4 milhões de cubos e o brinquedo começou a ser um objeto de culto inclusive para os centros artísticos: o Museu de Arte Moderna de Nova York (Moma) adquiriu e expôs um exemplar em 1981, no mesmo ano em que o Museu de Artes Aplicadas de Budapeste (IMM).

“É o ícone húngaro mais conhecido no mundo todo”, declara à Agência Efe Ágnes Prékopa, historiadora da arte do IMM, onde há uma coleção Rubik.

Sua forma, o material e o aspecto do brinquedo não se atêm ao estilo dos anos 70, é “algo atemporal”, que inspirou muitos artistas e desenhistas, analisa Prékopa.

Rubik é um arquiteto que lecionava cursos na Escola de Artes Aplicadas de Budapeste, onde decidiu mostrar seus alunos os segredos do espaço com um objeto tridimensional. Assim nasceu o protótipo do cubo.

O enigmático criador, que só fala à imprensa em poucas ocasiões, explica que “descobriu” o cubo, não o inventou. “Na minha opinião, ele é parte da natureza, e não é um objeto artificial; é algo natural”, afirma em seu site.

Até hoje foram vendidos mais de 400 milhões desses cubos cuja complexidade é comprovada pelo fato de que tem mais de 43 trilhões de possíveis combinações, o que garante um longo entretenimento e, em alguns casos, uma certa dose de desespero.

“Me desespero só de ver essas cores, essas pequenas caras dentro do cubo, e de pensar nas possíveis soluções”, relata à Efe Emma, uma professora de Budapeste.

Para outros, a paixão pelo brinquedo é tamanha que foram criados torneios mundiais que medem o tempo de resolução: o recorde é do adolescente holandês Mats Valk, em março de 2013 com 5,55 segundos, segundo a World Cube Association.

Existem muitas outras marcas, por exemplo, a solução mais rápida com uma mão só é do australiano Feliks Zemdegs com 9,03 segundos, enquanto o recorde de olhos fechados é do polonês Marcin Zalewski com 23,68 segundos.

Na última e complicada versão, deixa-se o jogador observar por alguns segundos o cubo e depois seus olhos são tapados para que resolva o jogo sem ver o brinquedo.

O sucesso que o cubo teve desde o início dos anos 80 o transformou também em um ícone cultural, que apareceu em vários filmes como “Quero Ser John Malkovich” (1999), “O Espetacular Homem-Aranha” (2012), “Armageddon” (1998) e “Prometheus” (2012).

Hoje há cubos de 4×4, para pessoas com problemas visuais; o conhecido como “mirror”, composto por unidades de formas diferentes, que se unem em um cubo; entre muitas e complexas fórmulas inspiradas no brinquedo original.

O cubo se transformou nas últimas quatro décadas “um ícone da engenhosidade europeia”, disse recentemente o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, em um almoço oferecido ao arquiteto húngaro. EFE