Defesa da Odebrecht diz que houve ilegalidade em novo pedido de prisão preventiva

  • Por Agência Brasil
  • 25/07/2015 09h05
CURITIBA, PR, 20.06.2015: OPERAÇÃO-LAVA JATO - Marcelo Odebrecht, presidente da Odebrecht, é encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba (PR), na manhã deste sábado. Marcelo foi detido durante ação da 14ª fase da Operação Lava Jato batizada de Erga Omnes (do latim, Contra Todos) e está sendo cumprida em quatro estados. (Foto: Gisele Pimenta/Frame/Folhapress)Marcelo Odebrecht

Os advogados da construtora Odebrecht na Operação Lava Jato criticaram nesta sexta (24) o novo pedido de prisão preventiva para os executivos da empresa investigados pela Operação Lava Jato. Eles disseram que o juiz Sérgio Moro confere prazos diferentes para a acusação e a defesa, não disponibiliza as informações sobre o processo, o que gera disparidade na atuação da defesa e da acusação. Um dos advogados, Tércio Lins e Silva, avaliou que a nova prisão foi uma forma de impedir que os tribunais superiores examinem o pedido de habeas corpus feito pela defesa.

Lins acredita que não houve presunção da inocência neste caso e declarou esta tarde que “essa demonstração midiática para dar satisfação ao público não condiz com o processo democrático”. De acordo com o advogado, o sigilo bancário de seus clientes não foram respeitados e dados particulares foram revelados, como mensagens entre familiares.

A defesa disse que há ilegalidade no decreto de prisão e alegou que uma prisão processual não pode ser confundida com antecipação de mérito. A advocacia acrescentou que os executivos da empresa estiveram à disposição da Justiça durante toda a investigação. Segundo os advogados, as análises e interpretações de anotações dos investigados estão desfavorecendo seus clientes.

Ainda nesta sexta (24), o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Francisco Falcão, pediu ao juiz Sérgio Moro informações sobre o andamento das investigações para que pudesse instruir o julgamento do pedido de liberdade. Pelo despacho, o juiz terá cinco dias para prestar informações.

O presidente da construtora, Marcelo Odebrecht, está preso desde o mês passado na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, em função das investigações da décima quarta fase da Operação Lava Jato. Hoje cedo, Sérgio Moro autorizou a transferência dos executivos para um presídio na região metropolitana de Curitiba.

Camila Boehm e Camila Maciel – Repórteres da Agência Brasil // Edição: Aécio Amado