Deslizamento de terra em mina de jade deixa dezenas de mortos em Mianmar

  • Por Agência Estado
  • 26/12/2015 09h57
Equipes de resgate faz buscas em mina de jade após deslizamento em Hpa Kant

Dezenas de pessoas morreram em um deslizamento de terra em uma mina de jade no norte de Mianmar, que abriga alguns dos maiores locais de extração da pedra no mundo, informou o portal “Irrawaddy” neste sábado.

O acidente ocorreu ontem no distrito de Hpakant, no estado de Kachin, situado a mais de mil quilômetros ao norte de Yangun, a antiga capital, e perto das áreas onde o exército combate a guerrilha kachin.

Pelo menos 114 pessoas morreram em outra mina de jade em Hpakang em novembro devido à queda de resíduos de terra e pedras de uma montanha próxima.

Os acidentes e deslizamentos de terras são frequentes nas montanhas de pedras e resíduos das minas onde milhares de trabalhadores irregulares escarvam para encontrar jade.

Mianmar tem as maiores jazidas de jadeíta, uma variante de jade muito cobiçada na China, onde na antiguidade era conhecida como a “pedra do Céu”.

Tint Soe, um deputado eleito no distrito de Hpakant nas eleições de 8 de novembro, denunciou recentemente a falta de medidas de segurança e a destruição ambiental causada pelos caminhões e escavadeiras das minas de jade.

“Cerca de 400 milhas quadradas (643 quilômetros quadrados) ficaram totalmente destruídos. Agora há buracos e resíduos de terra. É um deserto”, disse Tint Soe ao portal “Mizzima”.

O político afirmou que a população local não se beneficia das minas, exploradas em muitos casos por empresas chinesas. Alguns especialistas acreditam que, apesar da grande quantidade de jazidas, o ritmo atual pode esgotar a jade local em uma geração.

Em outubro, a ONG Global Witness denunciou que participam do comércio de jade senhores da guerra, traficantes de droga e generais da antiga junta militar, como seu ex-chefe supremo, Than Shwe.

A ONG calculou que o comércio dessas pedras é avaliado em aproximadamente US$ 31 bilhões, a metade do Produto Interno Bruto de Mianmar e mais que o dobro das estimativas oficiais.

O exército e a guerrilha do Exército para a Independência Kachin se beneficiam do exploração das minas mediante concessões ou coleta de pedágios e impostos.