Despejo de sem-tetos de hotel provoca conflito no centro de São Paulo

  • Por Agencia EFE
  • 17/09/2014 01h59
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Pablo Giuliano.

São Paulo, 16 set (EFE).- A reintegração de posse de um hotel abandonado onde viviam 200 famílias há quatro meses no centro de São Paulo gerou uma série de conflitos com a polícia, deixando três pessoas feridas, 70 detidos, um ônibus incendiado e várias lojas saqueadas.

Sofás, armários, portas e pedaços de cama, lançadas a partir do prédio, foram usadas como munição contra a Polícia Militar (PM), que respondeu com gás lacrimogêneo. O centro da maior cidade sul-americana se transformou em um palco de conflitos durante cinco horas na manhã desta terça-feira.

O batalhão de choque da PM se posicionou para cumprir a reintegração de um hotel que estava abandonado há uma década, e ocupado por famílias de Frente de Luta por Moradia (FLM), uma organização de defesa aos sem-teto.

Os ocupantes saíram correndo para a rua após serem atacados com gás lacrimogêneo e muitos jovens reagiram com pedradas com a Polícia.

“Não somos invasores. Ocupamos um edifício abandonado, vazio”, disse à Efe, entre os gritos, Joana, uma jovem que carregava um bebê em seus braços e tentava escapar do multo pela a rua Santa Efigênia.

“Os moradores começaram a lançar objetos contra os agentes policiais. E outras pessoas aproveitaram a confusão para atacar os minhas tropas”, afirmou o chefe da operação, coronel Glauco Silva de Carvalho.

O despejo foi autorizado pela juíza civil Maria Fernanda Belli a pedido da empresa proprietária do imóvel, a Aquários Hotel, informou um porta-voz do governo do estado de São Paulo.

Segundo a polícia, a reintegração aconteceu depois do fracasso de duas outras tentativas em junho.

A Secretaria Municipal de Habitação de São Paulo ofereceu alojamentos para as famílias, depois que as ruas se transformaram em palco de conflitos e que diversos saques fossem registrados.

Algumas lojas de telefonia foram destruídas e grande parte do comércio da região central, perto de onde está localizada a sede da Bolsa de Valores de São Paulo, fechou as portas.

Várias barricadas foram montadas pelas pessoas que protestavam e enfretavam a PM com pedras.

O movimento social que dá respaldo às ocupações de prédios abandonados no centro da cidade afirma que as autoridades não cumpriram com o acordo de oferecer caminhões de mudança aos moradores.

O conflito obrigou as autoridades a fechar o trânsito por várias vias, paralisando São Paulo assim como ocorreu durante os protestos de junho de 2013, quando milhões de brasileiros foram às ruas para reinvidicar melhores serviços públicos.

O hotel de onde os sem-teto foram desalojados está situado em uma esquina emblemática de São Paulo, o cruzamento da Avenida Ipiranga com a São João, que inspirou uma das mais famosas músicas do cantor Caetano Veloso.

Os manifestantes se dispersaram pelo centro da cidade e, a 500 metros do hotel, incendiaram um ônibus em frente ao Teatro Municipal de São Paulo.

A polícia lançou balas de borracha e gás lacrimogêneoo durante os conflitos de rua, que se repetiram entre pontos turísticos como o Vale do Anhangabaú e a Praça da República.

O centro de São Paulo, segundo a FLM, é hoje refém da especulação imobiliária, e vários de seus edifícios históricos foram abandonados.

O déficit de moradia em São Paulo era, em 2013, de 670 mil domicílios, de acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano. EFE

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