Diminui número de indústrias nacionais com planos para investir neste ano

  • Por Agencia EFE
  • 28/01/2014 14h48

Rio de Janeiro, 28 jan (EFE).- A porcentagem de indústrias nacionais que planejam realizar investimentos produtivos se reduziu desde 83% em 2013 até 78,1% em 2014, segundo uma pesquisa divulgada nesta terça-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Trata-se da menor porcentagem de intenção de investimento para a indústria brasileira desde que a pesquisa começou a ser realizada entre os industriais, em 2010.

“As expectativas não são tão desfavoráveis. Estão abaixo do que foram em 2010, o ano com maior investimento até agora”, disse o economista Flavio Castelo Branco, analista da Unidade de Política Econômica da CNI, citado em comunicado da entidade.

O especialista atribuiu a redução da intenção de investimento ao fato de que um número maior de empresas (82,9%) considera que sua capacidade de produção atual já está ajustada para atender a demanda deste ano.

Castelo Branco afirmou ainda que o investimento neste ano pode aumentar incentivado pelo programa de concessões do governo, que vem transferindo para empresas privadas a operação de algumas estradas, linhas de transmissão elétrica, portos e aeroportos.

De acordo com a pesquisa, entre as empresas com planos de investimento, 55,8% pretende dar continuidade a projetos já iniciados e 37,6% iniciará novos projetos.

A maior parcela dos industriais que planejam investir tem como objetivo atender a demanda nacional (79,6%), enquanto 3,6% tem como alvo o mercado externo.

A porcentagem dos que planejam investir para aumentar suas exportações vem caindo desde o 5,1% medido em 2010, algo que Castelo Branco atribui à perda de competitividade da indústria brasileira.

“Reduzir os custos de produção e melhorar a logística do país e a produtividade das empresas são cruciais para o aumento da competitividade”, afirmou o economista.

Dos industriais com planos de investimento, 54,9% pretende fazer isso com recursos próprios, 91,9% pretende comprar máquinas e 26,8% se propõe a melhorar seu processo produtivo.

Já 24,7% deseja aumentar sua capacidade de produção e 14,2% lançar novos produtos.

De acordo com a pesquisa, que escutou entre outubro e novembro responsáveis por 684 empresas (286 grandes, 299 médias e 99 pequenas), o principal risco para o investimento no Brasil é a incerteza econômica (60,9%), seguido pela elevada capacidade ociosa (38,5%) e pelo alto custo de financiamento (29,2%).

Em relação às indústrias que efetivamente investiram, a pesquisa mostrou que 79,7% fez isso em 2013, acima do 78,7% de 2012 mas longe do 89,6% de 2010. EFE