Dirigentes palestinos criticam Sharon e citam “atrocidades”

  • Por Agencia EFE
  • 11/01/2014 14h25

Gaza, 11 jan (EFE).- Os principais dirigentes palestinos, tanto do movimento nacionalista Fatah como do islamita Hamas, denunciaram neste sábado as “atrocidades” do ex-primeiro-ministro israelense Ariel Sharon, que morreu hoje aos 85 anos.

“Sharon, como qualquer outro líder israelense que cometeu atrocidades contra o povo palestino, não deixa nenhuma simpatia ou compaixão no coração dos palestinos”, disse à agência Efe Mahmoud Labadi, chefe do Comitê de Relações Exteriores do Fatah.

Labadi lamentou que os palestinos não possam “lembrar de nem um só momento bom que Sharon” tenha dado ao seu povo.

“Estamos tristes pelo conflito não ter se resolvido durante seu período como primeiro-ministro, mas não por sua morte nem pela de nenhum outro israelense que cometeu massacres contra palestinos”, acrescentou.

Já o ex-chefe dos serviços secretos palestinos, Jibril Rajub, lamentou que Sharon não tenha sido julgado por um “tribunal penal internacional por seus crimes”.

Atual presidente da Federação Palestina de Futebol, Rajub acusou Sharon do “assassinato em 2004 de Yasser Arafat”, algo que nunca foi comprovado pela justiça.

O político independente Mustafa Barghouti disse que “nunca se deve ficar alegre pela morte de uma pessoa, mas infelizmente Sharon não deixou boas lembranças no povo palestino”.

“Infelizmente ele foi pelo caminho da guerra e da agressão, e fracassou totalmente em fazer a paz com os palestinos”, afirmou.

O movimento islamita Hamas, que governa a Faixa de Gaza, classificou o ex-primeiro-ministro israelense de “criminoso”.

“Sharon era um criminoso e um daqueles que causaram desgraças ao povo palestino”, disse o porta-voz do Hamas em Gaza, Salah al-Bardawil.

Em um comunicado, o funcionário do partido islamita afirmou que “rezava a Alá para que Sharon e todos os dirigentes sionistas que cometeram massacres” contra os palestinos “fossem para o inferno”.

Sharon morreu aos 85 anos após permanecer oito anos em um coma provocado por um derrame cerebral sofrido em 2006.

Figura política de destaque e premiado militar em Israel, a biografia de Sharon é repleta de episódios que os palestinos lembram com pesar, entre eles a massacre dos campos de refugiados de Sabra e Shatila, ambos no Líbano, em 1982.

Sharon, na época ministro da Defesa, foi considerado responsável indireto pelo massacre de palestinos nas mãos de falanges cristãs por não ter impedido a entrada destes grupos nos campos.

Os palestinos também lembram o confinamento de Yasser Arafat em Ramala no início da década passada.

“Quando o povo palestino lembra Sharon, só lembra de dor, sangue, tortura, deslocamentos e crimes. Ele é um grande criminoso e nunca sentiremos pena por sua morte”, disse Bardawil.

Por enquanto não ocorreram celebrações nas ruas de Gaza, mas nas redes sociais os palestinos expressaram sua alegria pela morte do ex-líder israelense. EFE