Disparos contra manifestantes deixam ao menos 7 feridos na Tailândia

  • Por Agencia EFE
  • 11/01/2014 05h05

Bangcoc, 11 jan (EFE).- Pelo menos sete pessoas ficaram feridas na noite de ontem, sexta-feira, em um tiroteio contra o acampamento dos manifestantes antigovernamentais em Bangcoc, na Tailândia, enquanto aumentam as tensões diante do início de uma nova onda de protestos.

O incidente ocorreu de madrugada quando pessoas não identificadas atiraram contra o local onde os manifestantes estão acampados há várias semanas, segundo o grupo estatal de comunicação “MCOT”.

Os manifestantes se preparam para interromper totalmente, e de forma indefinida, todo o trânsito de Bangcoc a partir da próxima segunda-feira, com o objetivo de forçar a renúncia do governo e evitar as eleições de 2 de fevereiro.

Com essa nova série de protestos, que já duram mais de dois meses, a Anistia Internacional (AI) pediu “moderação” e respeito aos direitos humanos para governo e manifestantes.

“A situação na Tailândia é tensa, volátil e imprevisível. Há um risco real de que haja mortos e feridos a menos que os direitos humanos sejam completamente respeitados”, disse em comunicado a subdiretora da AI na Ásia Pacífico, Isabelle Arradon.

“As forças de segurança devem garantir o exercício do direito de manifestação pacífica. Mas também têm o dever de velar pela segurança pública”, acrescentou Isabelle, que pediu às autoridades “máxima moderação” no uso da força.

O Ministério das Relações Exteriores informou que 45 países emitiram alertas de viagem para a Tailândia, entre eles os Estados Unidos, cuja embaixada recomendou ontem aos americanos residentes no país asiático que acumulem em casa dinheiro e mantimentos suficientes para duas semanas.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, também pediu “contenção” a todas as partes e alertou sobre o risco de uma escalada das tensões nos próximos dias.

Pelo menos oito pessoas morreram nos protestos contra o governo da primeira-ministra, Yingluck Shinawatra, que foi forçada a dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas em dezembro.

Os manifestantes rejeitam o pleito e exigem que antes de uma votação, seja formado um conselho não eleito que faça uma reforma do sistema político, que consideram como corrupto e que está a serviço do ex-primeiro-ministro, Thaksin Shinawatra, irmão de Yingluck.

Thaksin, deposto em um golpe militar em 2006, ganhou diretamente e através de coligações todas as eleições desde 2001.

Mais de 20 partidos se apresentam às eleições apesar do boicote do Partido Democrata, que não participará do pleito, e das manifestações, que impediram o registro de candidatos na Comissão Eleitoral em circunscrições do sul do país, reduto da oposição. EFE