Documento final do G7 critica Rússia e se compromete com mudança climática

  • Por Agência EFE
  • 08/06/2015 15h55
Os líderes de Estados Unidos

O G7 se colocou nesta segunda-feira (08) como fórum defensor dos princípios da liberdade, da democracia e da integridade territorial frente à Rússia, em uma declaração recheada de compromissos para conter o aquecimento global e a favor do desenvolvimento.

Os líderes de Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Japão e Canadá concluíram sua cúpula anual, que aconteceu no palácio de Elmau, no sul da Alemanha, e, pelo segundo ano consecutivo com a Rússia fora deste fórum, condenaram a intervenção de Moscou na Ucrânia e se mostraram unidos na política de sanções.

“Estamos dispostos a reforçar as sanções se a situação assim exigir”, afirmou a chanceler alemã, Angela Merkel, anfitriã da cúpula, apoiada pelo presidente americano, Barack Obama.

A duração das sanções está vinculada ao compromisso da Rússia com os acordos de Minsk, ratificaram na declaração final.

O texto, de 19 páginas, dedica amplo espaço à luta contra a mudança climática e a iniciativas de desenvolvimento e saúde com objetivos ambiciosos, embora sem concretizar as contribuições financeiras para a execução destes projetos.

O presidente francês, François Hollande, qualificou de “fundamentais” os compromissos dos membros do G7 com aspirações “realistas” para garantir o sucesso da Cúpula do Clima que Paris receberá em dezembro para encontrar um substituto global e vinculativo para o Protocolo de Kioto a partir de 2020.

Os sete países mais industrializados destacaram que o objetivo comum é que o aquecimento global não ultrapasse os dois graus centígrados em comparação com os valores pré-industriais, o que os obrigará a reduzir sensivelmente nas próximas décadas as emissões de gases que provocam o efeito estufa.

Neste contexto, apoiaram a meta fixada pelas Nações Unidas para reduzir as emissões entre 40% e 70% para 2050 e assumiram o compromisso de estar na parte alta dessa escala, embora sem especificar objetivos concretos em nível nacional.

Mostraram ainda a disposição de impulsionar o Fundo Verde do Clima, um mecanismo que deverá estar dotado de US$ 100 bilhões por ano a partir de 2020 para apoiar os países mais vulneráveis à mudança climática.

As ONGs presentes em Elmau aplaudiram a aposta de Merkel de avançar rumo a uma economia global livre de carbono até o final do século e consideraram um sucesso o texto, que venceu as reservas de Japão e Canadá, mas advertiram que permanecerão atentas para que não fiquem somente no papel.

Nos capítulos dedicados ao desenvolvimento e à saúde, uma aposta pessoal de Merkel, os líderes do G7 se comprometeram a não esquecer as lições aprendidas na recente crise do ebola, diante de um grupo de líderes africanos convidados à última sessão de trabalho da cúpula.

Com isso eles se somaram a uma iniciativa americana para prestar apoio a 60 países durante os próximos cinco anos, incluindo os estados da África Ocidental, para que seus sistemas de saúde estejam preparados para evitar futuros surtos epidêmicos, e disseram apostar em mecanismos de resposta global com recursos humanos e financeiros suficientes.

Como preparativo para a reunião da Assembleia Geral da ONU em setembro, onde deve ser negociada a Agenda Pós 2015 que substituirá os Objetivos do Milênio, o G7 assumiu uma meta muito bem definida: tirar 500 milhões de pessoas da fome e da desnutrição nos países em desenvolvimento até 2030.

Merkel destacou estes compromissos sem esquecer o debate tradicional do G7 sobre a economia, onde se destacaram os progressos na recuperação global no último ano e foi reiterada a necessidade de criar mais postos de trabalho.

A crise da Grécia também foi assunto no encontro, e Obama pediu “flexibilidade” tanto da Grécia como de seus credores, e exigiu seriedade do governo grego para fazer reformas que satisfaçam as instituições e que, principalmente, beneficiem os próprios gregos.

Merkel por sua vez lembrou a Grécia que “não há muito mais tempo” para chegar a um acordo e reiterou que o país deve adotar medidas para desfrutar da solidariedade dos parceiros europeus e do Fundo Monetário Internacional (FMI), cuja diretora-gerente, Christine Lagarde, participou hoje da reunião em Elmau.