Draghi alerta para risco de divergências estruturais na zona do euro

  • Por Agencia EFE
  • 23/05/2015 15h23

Lisboa, 23 mai (EFE).- O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, advertiu neste sábado para o perigo de haver grandes divergências estruturais entre os países da união monetária e qualificou estas diferenças de potencialmente ameaçadoras e explosivas.

“Em uma união monetária não se pode permitir ter divergências estruturais grandes e crescentes entre os países, elas tendem a ser explosivas”, afirmou em discurso em um fórum do BCE realizado no município português de Sintra, a cerca de 30 quilômetros de Lisboa.

Ele considerou que estas divergências estruturais entre países “vão ameaçar a existência da união monetária”.

Draghi lembrou que o BCE é o “guarda” da moeda única europeia e defendeu que em uma união monetária “o banco central deve comentar assuntos que possam prejudicar o cumprimento de seu mandato de estabilidade de preços ou minar a existência dessa união”.

Em seu discurso, voltou a insistir na mensagem dada ontem, quando encorajou os governos europeus a aproveitar a recuperação econômica para fazer as reformas que seus países precisam.

“Não vai existir melhor momento para fazer reformas do que agora”, afirmou o italiano, que acrescentou que há certa falta de “políticas estruturais” que englobam, por exemplo, a flexibilização do mercado de trabalho e as reformas dos sistemas de previdência pública.

Sobre este último ponto, pediu aos governos da zona do euro continuidade.

“Um país que reforma o sistema de previdência e depois muda de ideias todos os anos não obtém nenhum tipo de benefício no curto prazo”, aduziu.

A opinião de Draghi contrasta com a manifestada no mesmo fórum pelo vice-presidente do banco central americano, o Federal Reserve, Stanley Fischer, que garantiu que os bancos centrais podem falar “de vez em quando” sobre reformas estruturais, mas não podem transformar o assunto no tema principal de seu discurso cada vez que falam à imprensa.

Simultaneamente à realização do fórum, clientes do Banco Espírito Santo (BES) afetados pela venda de papel comercial – dívida de curto prazo vendida como investimento de baixo risco – se manifestavam em frente ao hotel onde acontecia o encontro, exigindo uma solução para recuperar suas economias.

O fórum anual do BCE em Sintra reuniu ontem e hoje presidentes de bancos centrais, acadêmicos e membros de diferentes governos, que participaram de uma série de conferências e debates sobre inflação, emprego, produtividade e políticas monetárias. EFE