Duma russa se nega a fazer um minuto de silêncio por morte de Nemtsov
Moscou, 17 mar (EFE).- A Duma ou Câmara dos Deputados da Rússia se negou nesta terça-feira a fazer um minuto de silêncio em memória do assassinado opositor liberal Boris Nemtsov, como tinha proposto um deputado opositor.
“No dia da tragédia enviei em meu nome e o de todos os parlamentares um telegrama aos parentes e entes queridos, e expressei minhas condolências pelo assassinato de Nemtsov, antigo deputado da Duma”, disse Sergei Narishkin, presidente da câmara baixa do parlamento russo.
Por esse motivo, Narishkin nem sequer submeteu à votação parlamentar a proposta apresentada pelo deputado da Rússia Justa Dimitri Gudkov.
“Embora nem todos compartilhavam suas ideias políticas, considero que seria humanamente correto fazer um minuto de silêncio”, assinalou Gudkov, que lembrou que então Nemtsov foi vice-presidente da Duma e liderou uma fração parlamentar.
O líder ultranacionalista Vladimir Jirinovski, com o qual Nemtsov teve atritos em várias ocasiões, se mostrou totalmente contrário a fazer um minuto de silêncio em homenagem a seu oponente político.
“Pode ser que seja preciso mudar o regulamento, mas já aprovamos uma vez que só o Conselho da Duma pode colocar a sala de pé por algum motivo e só por ocasião de um dia de luto nacional. Aqui morre gente a cada semana e a Duma não vai estar sempre de pé”, disse.
Cinco chechenos foram acusados formalmente do assassinato de Nemtsov, que recebeu quatro tiros nas costas em 27 de fevereiro quando passeava com uma jovem ucraniana perto do Kremlin.
Os opositores russos mantêm que a morte de Nemtsov, ex-vice-primeiro-ministro russo, foi politicamente motivada e puseram em dúvida o desejo dos investigadores de deter os que encomendaram o assassinato.
A imprensa local publicou a denúncia por escrito apresentada por Nemtsov perante o Comitê de Instrução pelas ameaças de morte recebidas devido exclusivamente a sua postura contra a ingerência militar russa na Ucrânia.
O presidente russo, Vladimir Putin, exigiu às forças de segurança o esclarecimento do assassinato mais famoso de um político desde que chegou ao Kremlin há 15 anos.EFE
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