ECA-USP adotará seleção via Enem na maioria dos cursos

  • Por Estadão Conteúdo
  • 16/06/2016 08h49
Praça do Relógio na USP - Universidade de São Paulo

A Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) vai adotar o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que prevê a entrada de candidatos pela nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), para a maioria dos cursos de sua graduação. Para o próximo vestibular, todos os cursos de Comunicação: Educomunicação, Biblioteconomia, Jornalismo, Editoração, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas e Turismo, vão separar 81 das 270 vagas pelo sistema e 34 dessas 81 serão reservadas para candidatos negros, pardos e indígenas (PPI).

Já os demais cursos da unidade, Audiovisual, Artes Cênicas, Artes Visuais e Música, não farão parte do processo. Segundo a direção da ECA, as graduações em Artes exigem provas de habilidade específica que são anteriores ao vestibular. A Universidade de São Paulo (USP) definiu que cada uma de suas unidades tem liberdade para oferecer vagas pelo Sisu até um limite de 30%.

A adoção do Sisu deve ser referendada, nesta quinta-feira (16), pelo Conselho de Graduação. Dois dos cursos que adotaram a mudança para este ano, Jornalismo e Publicidade e Propaganda, estiveram entre os dez mais concorridos na relação candidato-vaga no vestibular do ano passado.

A adoção de cotas sociais e raciais na instituição é pauta antiga do movimento estudantil e já ocorre nas universidades federais desde 2012. No mês passado, alunos ocuparam diversas unidades, incluindo a ECA, reivindicando a adoção de cotas e políticas de permanência estudantil. Procurados, os estudantes disseram que a adoção do programa pela ECA não atende às reivindicações do movimento, que deve prosseguir.

No curso de Jornalismo, 18 (30%) das 60 vagas agora vão para candidatos do Sisu. Dessas, 27% (16) serão para alunos vindos de escola pública, 8 delas para negros, pardos e indígenas (PPI). No ano passado, o curso teve 2 mil inscritos com uma relação de 33,5 candidatos por vaga. “Diversidade sempre foi um problema. Temos um aluno de perfil muito parecido. A presença de negros e indígenas é importante para ter formação mais ampla do próprio jornalista. Mais questões são trazidas para o debate e isso contribui para formar profissionais com várias experiências sociais”, diz o chefe do Departamento de Jornalismo e Editoração, Dennis de Oliveira. Em Editoração, das 15 vagas, 5 vão para o Sisu. 

Em Publicidade, 8º curso mais concorrido da universidade no ano passado, serão oferecidas 15 das 50 vagas pelo Sisu, 5 delas para PPI. Para o chefe do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo, Victor Aquino, o número ainda é insuficiente e pode não causar o impacto desejado, “é uma opinião de todos os professores ser contra o limite atual de 30%. A USP vive escondida atrás de um biombo furado chamado meritocracia, excelência. Mesmo com Sisu, os alunos estão desestimulados a concorrer em uma fatia tão estreita de vagas.”

Em 2015, a universidade já aderiu ao programa e separou, para o vestibular de 2016, 13,5% das vagas, 10,5% para alunos de escola pública e 1% para negros, pardos e indígenas. Mas 10 das 42 unidades da instituição decidiram não abrir espaços, incluindo a ECA. 

Com notas de corte que chegaram a 700 pontos, só 55% (814) das 1 489 vagas destinadas ao Sisu em 2015 foram preenchidas e a USP recuou ainda mais no acesso aos alunos de escola pública. O índice caiu de 35,1%, em 2014, para 34,6% no último ano, distanciando a instituição de alcançar a meta de ter 50% até 2018.

Cota

Aluna de Artes Cênicas e única da turma a ter estudado em escola pública, Marcela Carbone, de 24 anos, é contra a adoção de cotas apenas pelo Sisu, “as outras faculdades da USP já mostraram, no ano passado, que essa política só piora a situação, pois traz para a USP os melhores pontuados no Enem, a elite da escola pública e escolas técnicas ou que fizeram cursinhos. Não muda a composição social e racial da USP, que é extremamente elitista”, completa.