BC anuncia medidas para ‘garantir liquidez e sistema funcionando’

  • Por Jovem Pan
  • 23/03/2020 09h53 - Atualizado em 23/03/2020 10h13
BRUNO ROCHA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDOAlém destas ações, o BC também anunciou a redução spreed aos bancos para "mitigar os impactos operacionais da crise"

O Banco Central (BC) do Brasil anunciou nesta segunda-feira (23) uma série de medidas para combater os efeitos do novo coronavírus na economia brasileira.

Entre as medidas está o novo depósito a prazo com garantias especiais, com isso os bancos poderão aumentar sua captação; liberação adicional de depósitos compulsórios; a flexibilização do LCA que facilita crédito ao agronegócio e visa fortalecer os bancos ; o empréstimo com lastro em debêntures, com potencial de liberação de 90 bilhões; a ampliação do limite de recompra de letras financeiras de emissão, com potencial de R$ 30 bilhões e a não dedução no capital, com potencial de R$ 46 bilhões para que os bancos ampliem e mantenham suas concessões de créditos.

Além destas ações, o Banco Central também anunciou a redução spreed aos bancos para “mitigar os impactos operacionais da crise”. Segundo o presidente do BC, Roberto Campos Neto, o objetivo das medidas é garantir a liquidez e o sistema funcionando.

Além das medidas já apresentadas, o Banco Central também anunciou que continua elaborando outras ações para conter os efeitos da pandemia na economia brasileira. Entre as medias está o empréstimo com lastro de LF por operação de crédito com potencial de R$ 670 bilhões e uma nova liberação do compulsório.

Durante o pronunciamento, o presidente do Banco Central afirmou que o órgão está tranquilo para enfrentar a crise e que “vamos atravessar a crise com facilidade”.

“O Banco Central está atento, se antecipou. Gostaria de passar a tranquilidade, o BC entende que temos um crise diferente do que vivemos no passado, mas o arsenal que o BC tem é muito grande, então gostaria que todos entendessem que o sistema financeiro nacional vai continuar funcionando.”

Ao ser questionado sobre a possível duração da pandemia, o presidente do Banco Central definiu que a duração é um incógnita para todos, mas que acredita que o ministério da saúde está atuado. ” O que eu preciso é ter condições estimulativas e ampla liquidez para superar a crise. Gostaria de enfatizar que nós temos um arsenal muito grande e iremos usar.”

A respeito da possibilidade do Banco Central fazer compra direta de dívidas de empresa, uma medida adotada pelo Banco Central dos EUA, Roberto Campos Neto afirmou que não há essa ação no Brasil, mas outras medidas tomadas trarão o efeito parecido.

“A primeira medida faz parte de debenture, que é basicamente financiar o banco com título de dívida privada. E a segunda medida, que está em fase de elaboração final, que é o o empréstimo com lastro em letras financeiras garantidas. Essa é uma forma de dar liquidez em troca de uma carteira de dívida privada. Mas é importante enfatizar que tem um efeito parecido.”