Brasil pode deixar a tempestade perfeita e alcançar um “dia de sol”, diz Marcos Troyjo

  • Por Jovem Pan
  • 08/03/2018 18h16 - Atualizado em 08/03/2018 18h38
ReproduçãoAnalista internacional afirmou que o governo de Donald Trump “é um desastre” e vê um “risco de desglobalização”

O programa Perguntar Não Ofende desta quinta-feira (8) recebeu Marcos Troyjo, diretor do BRICLab da Universidade Columbia, em Nova Iorque, cientista político, economista, diplomata e colunista.

O BRICLab é um centro de estudo que foca nos países que compõe o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China, quando o grupo ainda não incluía a África do Sul).

Troyjo destacou que a economia chinesa já se tornou a maior do mundo em um “eclipse raríssimo” da economia mundial.

Dos países que compõem o BRIC, Rússia e Brasil são vistos como “duas grandes decepções”, que não cumpriram o que se imaginava. “A grande decepção desse grupo foi o Brasil”, disse o economista, destacando que a Rússia possui outros problemas geopolíticos.

Troyjo destacou circunstâncias socioeconômicas que alavancaram o Brasil nos últimos anos, como o agronegócio em alta, a descoberta de poços de petróleo do pré-sal, a saída de milhões da linha da pobreza, cenário que se mostrou enganoso depois.

O analista disse que ocorreu “quase que um milagre” na recuperação da economia promovida pelo governo Temer.

Ele apontou o grande potencial de crescimento que ainda tem o Brasil para recuperar os “anos perdidos” dos últimos anos de recessão.

O economista lembrou que Delfim Netto anunciou o cenário de “tempestade perfeita” que se desenhava no Brasil. Troyjo vislumbra, no entanto, que entre 2018 e 2019 “estamos substituindo a certeza da tragédia pela possibilidade do sucesso”.

Ele citou a política econômica de Donald Trump e o Brexit, apontando que hoje há uma grande liquidez mundial que pode beneficiar o Brasil.

Além disso, há bons fatores internos, como o sucesso de políticas reformistas.

Troyjo explicou também, durante a entrevista, os fatores nacionais e internacionais que levaram a Argentina a se tornar um país mais pobre nas últimas décadas.

O analista avalia o governo Trump como “um desastre”, já que afasta os Estados Unidos de uma economia de mercado, livre. Troyjo citou a saída da Parceria Transpacífico e as medidas protecionistas recentemente anunciadas.

O “soft power” dos americanos tem caído e Troyjo vê o polo magnético de influência global hoje migrando para a China. Ele vê um “risco de desglobalização”.

O economista citou o “Trumpistão” que estava escondido nos Estados Unidos, abarcando os descontentes com a globalização.

Marcos Troyjo, por fim, criticou a política externa dos governos PT, que pretendia tornar o Brasil um líder das nações de 3º mundo, com voz forte na ONU. Para o economista, o que se deve fazer é fortalecer acordos econômicos internacionais e é isso que o brasileiro quer. “Nós queremos muito menos um país poderoso, e muito mais um país próspero”, disse.