Com indefinição no País, investimento em criptomoedas como reserva de valor é opção para diversificar riscos

  • Por Marina Ogawa/Jovem Pan
  • 21/09/2018 10h00
ReproduçãoVale mesmo a pena investir nisso? Sim, como reserva de valor para o longo prazo, por exemplo

Diversificar riscos em tempos de indefinições é algo essencial no mercado financeiro. Você, que tem seu dinheiro todo em apenas um tipo de investimento corre riscos quando o cenário muda de forma muito brusca.

Tudo o que você investe dentro do Brasil está exposto ao Risco-Brasil. Este é um risco de crédito a que os investidores estão submetidos quando investem no País. Por exemplo, um título do Governo, ação da Petrobras ou até mesmo a compra de um imóvel estão sujeitos ao risco.

Em contrapartida, as criptomoedas, famosas pelo “boom” do bitcoin no ano passado, podem ser um investimento seguro, já que elas não possuem relação de causa e efeito com o que acontece no Brasil.

“Algumas pessoas têm desconfiança em alguns produtos usuais. Quando você vê alguma empresa quebrando ou grandes empresas dando prejuízos ou ainda envolvidas em ações da Polícia Federal isso acaba gerando desconfiança natural nas pessoas e na empresa. Com a criptomoeda, como é algo descentralizado, não estaria sujeito a esse tipo de problema”, explica Luiz Calado, economista-chefe do Mercado Bitcoin.

Mas aí você pode se questionar: se as criptomoedas são influenciadas pelo dólar que, consequentemente, é influenciado pelo cenário político interno, como no Brasil, vale mesmo a pena investir nisso? Sim, como reserva de valor para o longo prazo, por exemplo.

“O arriscado é não investir neste momento”, diz Calado. “É algo que não está relacionado ao que vai acontecer aqui dentro. Você não ter nada que não esteja relacionado ao que vai acontecer aqui dentro, aí é risco”, completa.

Com o cenário político dado hoje e a eventualidade de um segundo turno ainda em aberto, é importante que o investidor tenha ativos diversificados, e correndo riscos que não são só do Brasil. A criptomoeda será essa melhor forma, segundo o economista-chefe do Mercado Bitcoin.

Luiz Calado também lembra que, enquanto muita coisa pode ocorrer com outros ativos e investimentos, com a criptomoeda o resultado eleitoral não terá um efeito tão grande, já que o preço é dado no exterior. “Essa que é a vantagem, por isso é importante ter a criptomoeda no seu portfólio para você diversificar seu risco”.

Países em crise x Maior procura por criptomoedas

A busca por criptoativos como reserva de valor no Brasil, ao contrário de outros países como a Turquia, não vem sendo acentuada até o momento diante do cenário eleitoral.

Recentemente, a lira turca desvalorizou 37,9% em relação ao dólar, sendo 20% em um período de apenas três dias, representando um grande risco para as empresas do país, que possuem mais de 70% dos seus débitos na moeda americana. Além disso, a inflação já atingiu 16% em 2018 no país.

A situação na Turquia levou a uma procura maior pelo bitcoin. A maior plataforma de criptomoedas turca, a Koinim, registrou um aumento de 63% durante a crise. “Outras corretoras reportaram picos de 35% a 100% em seu volume. A procura foi tão alta que o ‘spread’, ou seja, diferença entre os preços praticados em determinado local e preços de referência, entre a Turquia e o mundo abriu quase 8%”, aponta relatório do Mercado Bitcoin.

Na Argentina algo semelhante ocorreu. “Como parte da população percebe as vantagens de colocar dinheiro em criptomoeda nesse ambiente instável há uma valorização acima do normal do ativo na moeda local. Foi o que aconteceu na Turquia”, complementa Luiz Calado.

Busca por bitcoins em queda?

A procura pela criptomoeda continua existindo, mas não na mesma intensidade da mesma época do ano passado.

O número de investidores de bitcoins no Brasil já ultrapassou o total de pessoas físicas cadastradas na B3, que é a Bolsa de Valores paulista. Nas maiores corretoras de criptoativos do País, há mais de 1,4 milhão de cadastrados.

E o crescimento é observado também dentro da plataforma do Mercado Bitcoin. Segundo dados da empresa, em janeiro do ano passado eram 250 mil os usuários cadastrados; em dezembro o número já atingia 750 mil. Em fevereiro deste ano, o número de usuários na plataforma chegou a um milhão.

Entre os que mais investem nas criptomoedas estão os homens. Em pesquisa recente realizada em parceria com o Serasa Experian, o Mercado Bitcoin identificou que mais de 80% de sua base de clientes é formada por homens e quase 59% do total está na faixa de 18 a 33 anos. Este perfil se altera pouco e é muito semelhante ao perfil de pessoas que investem na Bolsa.

A busca, entretanto, gerou uma intensidade alta, o que fez com que o preço fosse subindo. Luiz Calado explica: “a escalada de preços ano passado foi muito brutal e influenciou no interesse das pessoas por esse ativo. Acaba gerando um círculo positivo em torno do ativo, sempre estava nos jornais com notícias boas e as pessoas acabam se motivando a comprar. Isso é igual com outros ativos. Quando entra em círculo positivo imobiliário, acaba atraindo muitas pessoas, o preço vai subindo mais e nas ações a mesma coisa”.

O que fazer para investir em criptomoeda?

Luiz Calado é sucinto em sua dica para aquele que quer investir no bitcoin: “importante estudar, entender a volatilidade disso. Muitos investidores estão fazendo isso pela primeira vez, então começar com pouco, entender como funciona. Ter horizonte de longo prazo e como qualquer investimento não colocar todas as suas economias só nisso”.

Em momento de indefinição como o que vivemos, o que a pessoa precisa é não correr riscos, por isso é preciso diversificar bem a cesta de produtos de investimentos.

Já para aqueles que investem nas criptomoedas, Luiz Calado aconselha a plataforma via aplicativo do Mercado Bitcoin, que facilita a interação dos cientes com a corretora. “É preparado para operar no celular, de maneira simples, sem grandes dificuldades, está facilitando a interação do usuário para colocar ordem de compra, venda, acompanhar o mercado. Seria como uma Bolsa de Valores no seu celular. Contribui para dar agilidade aos clientes”.