Deputado protocola pedido de CPI do Banco Master

Requerimento reúne 201 assinaturas e busca apurar negociações de R$ 12 bilhões em títulos considerados de ‘qualidade duvidosa’; Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) aponta risco aos cofres públicos

  • Por Jovem Pan
  • 02/02/2026 12h33 - Atualizado em 02/02/2026 13h09
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Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados Deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), quem protocolou na Câmara dos Deputados pedido para a instalação da CPI do Banco Master Deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), quem protocolou na Câmara dos Deputados pedido para a instalação da CPI do Banco Master

O deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) protocolou na Câmara dos Deputados, nesta segunda-feira (2), um pedido para a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master. O objetivo é investigar um conjunto de operações financeiras realizadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).

O documento, que conta com o apoio de 201 parlamentares, foca na análise de negociações que somam aproximadamente R$ 12 bilhões. O valor refere-se a títulos e carteiras de crédito adquiridos pelo BRB junto ao Banco Master, os quais são considerados sem lastro (garantia) ou de qualidade duvidosa.

De acordo com Rollemberg, as transações colocaram em risco recursos públicos do banco estatal do Distrito Federal. O deputado cita um depoimento prestado à Polícia Federal pelo diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino. Segundo o diretor, o BRB poderá ser obrigado a separar uma reserva de até R$ 5 bilhões para cobrir eventuais prejuízos decorrentes dessas operações.

O parlamentar classifica o caso como o “maior escândalo financeiro da história do Brasil” e defende que o Congresso Nacional dê uma resposta imediata. Rollemberg sustenta que o caso ultrapassa a esfera financeira e atinge o campo político, mencionando a necessidade de ouvir autoridades de diferentes poderes e governos estaduais.

Entre os nomes citados pelo deputado que precisariam prestar esclarecimentos estão o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Rollemberg também pede a investigação das conexões construídas por Daniel Vorcaro com agentes públicos, que teriam permitido a realização das operações.

Trâmite na Câmara

Segundo o deputado, não existem impedimentos regimentais para o início dos trabalhos. O regimento interno da Câmara permite o funcionamento simultâneo de até cinco CPIs e, atualmente, nenhuma comissão de inquérito está em andamento na Casa.

“O que existe agora é uma decisão política. Depende exclusivamente da vontade política do presidente da Câmara e dos líderes partidários”, afirmou Rollemberg, reforçando que a comissão é essencial para identificar responsabilidades e apurar a falta de fiscalização.

O pedido aguarda despacho da Presidência da Câmara para ser lido em plenário, dando início ao processo de instalação.

CPMI do INSS

O caso do Banco Master já está sendo discutido no Congresso. O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos), anunciou que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi convocado para depor na comissão nesta semana.

Além de Vorcaro, também foi chamado o ex-presidente do Banco BMG, Luiz Félix Cardamone Neto, ambos investigados no caso de fraudes envolvendo descontos irregulares contra aposentados e pensionistas. Os depoimentos estão previstos para quinta-feira (05).

Viana também informou que a comissão tenta reverter o habeas corpus que impede o comparecimento do empresário Maurício Camisoti, investigado sobre as supostas fraudes no INSS.

A CPMI apura suspeitas de fraudes e outras irregularidades na oferta e na concessão de empréstimos consignados a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

“A CPMI seguirá adotando todas as medidas legais cabíveis para assegurar que ninguém se esconda atrás de decisões provisórias e que os fatos sejam plenamente esclarecidos diante do povo brasileiro”, escreveu o senador no X.

Além das convocações, Viana também defendeu a prorrogação dos trabalhos da CPMI que apura as fraudes e iniciou a coleta de assinaturas para estender o prazo de funcionamento do colegiado.

O encerramento da comissão está previsto para 28 de março. No entanto, o senador avalia que ainda é necessário aprofundar a apuração dos fatos investigados.

“Não é aceitável encerrar esse trabalho sem que todas as responsabilidades sejam devidamente apuradas. Tenho convicção de que o pedido de prorrogação será analisado com seriedade e acolhido, em respeito ao interesse público e ao dever constitucional do Congresso Nacional de fiscalizar e dar respostas ao povo brasileiro”, disse o senador.

Caso Master

As liquidações do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, e da gestora de investimentos Reag, na quinta-feira, dia 15 de janeiro, revelaram um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro.

O caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias, uso de fundos de investimento para ocultar prejuízos, tentativas de socorro via banco público e tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) com o BC e a Polícia Federal (PF).

“A decretação do regime especial nas instituições foi motivada pela grave crise de liquidez do conglomerado Master e pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como por graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do SFN”, informou o BC em nota na época.

De forma extrajudicial, foram liquidados o Banco Master S/A, do Banco Master de Investimento S/A, do Banco Letsbank S/A, e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhada da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Como resultado, no dia 17 de novembro, o dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso. Depois, ele foi solto com uso de tornozeleira eletrônica.

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