Aumento da tensão no Oriente Médio leva dólar a R$ 4,05

  • 03/01/2020 19h09
Agência BrasilDólar fechou esta sexta-feira (3) cotado a R$ 4,0555

A escalada da tensão no Oriente Médio, após o ataque dos Estados Unidos que matou o comandante da Guarda Revolucionária do Irã, Qassem Soleimani, provocou forte queda das moedas emergentes, incluindo o real. O dólar operou o dia todo em alta e fechou esta sexta-feira (3) com valorização de 0,78%, a R$ 4,0555.

O volume de negócios seguiu baixo no mercado local de câmbio, com muitos investidores ainda fora das mesas de operação por conta das festas de final de ano. Mas o clima de cautela predominou durante toda a sessão, com investidores buscando refúgio no dólar até entender os desdobramentos que a morte do general iraniano pode ter para a economia mundial. A consultoria inglesa Capital Economics estima que uma guerra entre Estados Unidos e Irã poderia reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) global em cerca de 0,3 ponto porcentual.

“O ataque aéreo americano desencadeou uma fuga para portos seguros no mercado de moedas”, afirmou o chefe da área do moedas do banco alemão Commerzbank, Ulrich Leuchtmann. Com isso, o iene se fortaleceu e as moedas emergentes foram perdedoras, ressalta ele. No Chile, o dólar chegou a subir 2% e, na África do Sul, avançava 1,5% no final da tarde. O real foi a terceira com pior desempenho entre os principais emergentes.

Leuchtmann notou que a lira turca teve movimento bem mais contido (+0,31%) que outras moedas emergentes, um indício de que os investidores mais especulativos podem já ter deixado o país, que foi alvo recentemente de sanções americanas por conta dos ataques de Istambul a bases Curdas na Síria. Ante moedas fortes, o dólar acabou ficando praticamente estável, com o índice DXY subindo 0,02% no final da tarde.

A expectativa inicial após a notícia da morte de Qassem Soleimani era de um dia ainda mais nervoso para o mercado. Mas na falta de outros desdobramentos, o dólar chegou até a bater mínimas no começo da tarde, a R$ 4,03. Mas com o final de semana pela frente, o clima de cautela predominou.

*Com Estadão Conteúdo