IBGE: economia se recupera lentamente, mas há espaço para melhora

  • Por Jovem Pan
  • 29/08/2019 17h15
Antônio Cruz/Agência BrasilMais cedo, o IBGE divulgou que o PIB teve um crescimento de 0,4% no segundo trimestre deste ano

A gerente de Contas Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cláudia Dionísio, afirmou nesta quinta-feira (29) que a economia brasileira está se recuperando de forma lenta, mas que há espaço para novas melhoras.

Mais cedo, o IBGE divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) – soma de todos os bens e serviços produzidos no país – teve um crescimento de 0,4% no segundo trimestre deste ano, na comparação com o trimestre anterior.

“No ano passado, como tínhamos taxas menores, a gente já esteve mais longe disso. No entanto, ainda tem um espaço a percorrer para chegar nesse [índice registrado no] primeiro trimestre de 2014, que foi o melhor na série histórica”, disse.

O desempenho melhor do segundo trimestre de 2019 foi favorecido pelo comportamento da indústria, com destaque para a construção civil (19%) e a indústria de transformação (2%), que representam em torno de 70% do indicador do setor.

Destaques positivos

Para a gerente, pela ótica da oferta, a construção e a indústria de transformação foram o diferencial na comparação com o que vinham apresentando. Pelo lado da demanda, ela apontou os investimentos. “O consumo das famílias é o que mais pesa e já vem crescendo há bastante tempo, mas os investimentos [3,2%], no segundo trimestre, sofreram uma aceleração. Todos os componentes ficaram no campo positivo, o que não tinha ocorrido no primeiro trimestre de 2019”.

Ela lembrou, no entanto, que o desempenho positivo foi neutralizado pela indústria extrativa, que caiu em dois trimestres seguidos devido aos desastres das barragens de Brumadinho e os seus reflexos. Além disso, a incidência de chuvas no Pará prejudicou a extração de minério de ferro.

No caso da construção, Cláudia destacou que a base de comparação estava “achatada”, pois foram registrados 20 trimestres de quedas e agora foi o primeiro bom resultado.

A gerente alertou, entretanto, que ainda é cedo para garantir que existe uma recuperação neste segmento. “A gente está, em relação ao que foi do trimestre passado e para trás, um pouco melhor, no sentido de que tem mais emprego, está tendo uma certa contratação nesse setor. O que gente tem que esperar é para ver se nos próximos trimestres isso vai se sustentar ou se foi uma coisa pontual”.

Já na agropecuária, houve uma queda de 0,4%. Para Cláudia, isso pode ser explicada por culturas importantes, como a soja, que nos últimos três meses  tiveram desempenho negativo. “Já a pecuária apresentou crescimento e isso compensou uma parte”, disse.

O crescimento de 0,3% em serviços acompanhou o comportamento que vinha apresentando. O acumulado em quatro trimestres alcançou 1,2% . Os gastos das famílias contribuíram para isso, além dos setores atacadista e varejista.

Formação Bruta de Capital Fixo

A Formação Bruta de Capital Fixo (fluxo de acréscimos ao estoque de capital fixo realizados num dado período, visando o aumento da capacidade produtiva do país) avançou 5,2% no segundo trimestre de 2019 em comparação com o primeiro trimestre. É o sétimo resultado positivo após 14 trimestres de queda.

O aumento é justificado pelo crescimento na importação, na produção de bens de capital e na construção. De acordo com a gerente, a formação bruta, nesse segundo trimestre, veio mais forte.

“O que explica é que todos os três componentes cresceram, tanto a produção de máquinas, quanto a construção, que pesam em torno de 50%, quanto a importação”, salientou. Já a despesa de consumo do governo teve queda de 0,7% em relação ao segundo trimestre de 2018.

Expectativa de aprovação das reformas

Cláudia avalia que a expectativa de aprovação das reformas necessárias para a recuperação da economia também influenciou nos resultados. “Qualquer medida que afete as expectativas dos agentes e atinja a confiança afeta sim. Nesse caso, no segundo trimestre a gente nota que tem uma melhora. Os índices de confiança estão ainda muito aquém do que já foram no passado, mas estão sofrendo uma leve melhora dos empresários e também em relação à construção e até mesmo dos consumidores”, afirmou.

* Com informações da Agência Brasil