Etanol pode ser trunfo para manter acordo climático, diz especialista

  • Por Jovem Pan
  • 29/08/2017 10h00 - Atualizado em 29/08/2017 10h22
Presidente da UNICA, Elizabeth Farina, projeta que a produção de etanol deve atingir 40 milhões de litros/ano até 2030

A busca pela expansão do potencial de produção e comercialização do setor sucroalcooleiro está no desenvolvimento de projetos junto ao governo federal. A alternativa pode estar no Programa Renova Bio, liderado pelo Ministério das Minas e Energia (MME), que pretende garantir um mercado importante e acordos internacionais ao País. A medida regulamenta a redução na emissão de gás de efeito estufa (CO2), que é a base de negociação do acordo de Paris em relação ao clima.

Em entrevista à Jovem Pan, a presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA), Elizabeth Farina, esclarece que o etanol surge como alternativa fundamental para o Brasil cumprir seus compromissos com energia, pois reduz em até 90% as emissões de CO2, quando comparado com gasolina. “Isso significa uma sustentação da demanda desse biocombustível agora para o futuro até 2030”.

Atualmente, a produção brasileira de etanol está na faixa de 30 milhões de litros/ano, mas a expectativa com o Renova Bio é chegar a 40 bilhões litros/ano em 2030, o que seria importante não apenas para cumprir o compromisso na redução de emissões, mas também para o abastecimento dos combustíveis com combustíveis brasileiros, sem depender tanto da importação de gasolina.

Apesar de ter perdido competitividade aos olhos do consumidor, associada à desoneração tributária da gasolina, o etanol necessita de um novo impulso que pode ser dado por meio do Programa que fortalece os biocombustíveis. “Isso seria capaz de quebrar essa falta de apetite de investimentos no setor no que tange ao aumento de capacidade produtiva. É preciso regras claras e previsíveis para retomar um novo ciclo de investimentos”, argumenta Elizabeth.

“O consumidor deve ter a consciência que ao escolher o etanol, ele estará escolhendo menor quantidade de emissões e de poluentes nos centros urbanos com benefícios, inclusive, até para a saúde”, completa.

Segundo a presidente da UNICA, o consumidor brasileiro é “privilegiado”, pois é o único no mundo que pode escolher qual combustível usar na bomba. Mas é preciso mudar a mentalidade que ainda está muito ligada a preços.