FMI: Está claro que recessão será tão forte ou pior que em 2008 e 2009

  • Por Jovem Pan
  • 27/03/2020 15h41
Gian Ehrenzeller/EFEKristalina Georgieva é a atual diretora-geral do Fundo Monetário Internacional

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou nesta sexta-feira (27) que está claro que a pandemia de coronavírus vai impor à economia global uma recessão tão forte ou até pior que a registrada durante a crise financeira global de 2008 e 2009.

Em entrevista coletiva virtual, Georgieva projetou que a recuperação deve ocorrer em 2021, dependendo da eficácia das medidas de contenção do vírus e de ações que evitem que o problema de liquidez se torne em um de insolvência. “Uma grande preocupação sobre o impacto duradouro dessa paralisação brusca é com o risco de que a onda de demissões e de falências possam não só diminuir a recuperação, como erodir o tecido das nossas sociedades”, disse.

A diretora da instituição global destacou os mercados emergentes como principais afetados pela instabilidade, com considerável fuga de capitais em um cenário de aversão ao risco. Segundo ela, em uma estimativa conservadora, esses países vão precisar de cerca de US$ 2,5 trilhões para retomar o crescimento, “para os quais suas reservas domésticas não serão suficientes”.

“Muitos desses mercados emergentes sofrerão uma contração quando as medidas de contenção necessárias cobrarem seu preço e sofrerão com choque da queda a demanda global por suas exportações”, destacou ela, explicando que muitos desses países já enfrentam graves questões domésticas.

Entre os desenvolvidos, a economista búlgara ressaltou que os Estados Unidos já estão em recessão, mas ponderou que o pacote fiscal de US$ 2 trilhões tem potencial para atenuá-la.

A representante do Fundo revelou ainda que o G20 está trabalhando em um plano de ação coordenado para minimizar os impactos econômicos da Covid-19. Ela também destacou que a China está à frente do resto do mundo na contenção do vírus e que é importante para a economia global que o país asiático cresça este ano.

*Com informações do Estadão Conteúdo