FMI eleva projeção de crescimento global para 3,3% em 2026

Revisão reflete força dos investimentos tecnológicos, apesar de alertas sobre riscos comerciais e da IA

  • Por Jovem Pan
  • 19/01/2026 08h27
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CRIS FAGA/DRAGONFLY PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO dolar SP - MERCADO/DÓLAR - ECONOMIA - Imagem ilustrativa do dólar americano produzida nesta segunda-feira (20). O dólar fechou esta segunda-feira em baixa ante o real após notícias de que Donald Trump não imporá novas tarifas de importação em seu primeiro dia na Presidência dos Estados Unidos. Dois leilões de dólares realizados pelo Banco Central pela manhã também contribuíram para a queda das cotações no Brasil. 20/01/2025 - Foto: CRIS FAGA/DRAGONFLY PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima, nesta segunda-feira (19), sua previsão de crescimento mundial para 2026, graças ao impulso dos investimentos tecnológicos, mas advertiu que o impacto da inteligência artificial (IA) e o ressurgimento de tensões comerciais poderiam provocar perturbações.

O crescimento da economia mundial se manterá estável em relação a 2025, em 3,3% este ano, assinalou o FMI – 0,2 ponto percentual a mais que o previsto em outubro.

Este crescimento de 3,3% significaria igualar o do ano de 2025.

O Fundo advertiu, em sua atualização das Perspectivas da Economia Mundial, que “a resiliência mostrada até agora se deve, em grande medida, a alguns poucos setores”, o que indica vulnerabilidade.

Embora a economia global pareça estar “deixando para trás as disrupções comerciais e tarifárias de 2025”, isto não significa que não tenha tido impacto, disse o economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas.

Ao contrário, os desafios foram compensados por “ventos de cauda do auge da IA e do investimento tecnológico”, disse a jornalistas. Isto foi especialmente certo no caso da América do Norte e da Ásia, assinalou o FMI.

América Latina

As novas perspectivas para a América Latina são de um crescimento de 2,2%, o que significa 0,1 ponto percentual a menos.

O Brasil cresceria 1,6% em 2026, 0,3 ponto percentual a menos, enquanto o crescimento do México se manteria inalterado, com 1,5%.

Tarifas e inflação

O setor privado mostrou em 2025 uma capacidade de adaptação para enfrentar os choques comerciais, enquanto o apoio fiscal e monetário proporcionou impulso.

Desde que voltou à Casa Branca, em janeiro passado, o presidente americano, Donald Trump, impôs tarifas aduaneiras generalizadas que afetaram tanto aliados quanto concorrentes, agitando os mercados financeiros e as cadeias de abastecimento, e disparando as tensões comerciais.

Mas o governo Trump fechou logo em seguida acordos tarifários com vários parceiros e, de forma crucial, alcançou uma trégua temporária com a China, a segunda maior economia do mundo.

Por ora, espera-se que a inflação global diminua dos estimados 4,1% em 2025 para 3,8% em 2026.

Incerteza maior

No entanto, o FMI disse que a incerteza sobre a política comercial segue muito maior do que em janeiro de 2025 e que ainda poderiam ocorrer problemas ocasionais em regiões como a América Latina.

A Suprema Corte dois Estados Unidos também deve se pronunciar sobre a legalidade do uso, por parte de Trump, de poderes econômicos de emergência para impor tarifas aduaneiras a bens de praticamente todos os parceiros comerciais.

Espera-se que o alto tribunal emita uma decisão ainda no começo de 2026, segundo o Fundo.

A anulação de algumas tarifas aduaneiras “injetaria outra dose de incerteza sobre a política comercial na economia global”, acrescentou Gourinchas.

Trump poderia recorrer a outras faculdades legais para reimpor as tarifas, o que gera incerteza.

Além do comércio, o auge da IA que impulsiona a economia global traz seus próprios riscos, disse Gourinchas.

Existe a possibilidade de uma “correção do mercado” se não se concretizarem as expectativas sobre os lucros, a produtividade e a rentabilidade da IA.

Um grande catalisador dos recentes recordes acionários em Wall Street foi o otimismo em torno da inteligência artificial.

Divergência

O FMI estima que o repique do investimento e do gasto em tecnologia acrescentou cerca de 0,3 ponto percentual ao crescimento anual médio do PIB dos Estados Unidos nos três primeiros trimestres de 2025.

Isto compensou o lastro da longa paralisação do governo federal no fim do ano.

Gourinchas destacou a divergência entre os Estados Unidos – que estão experimentando um salto em investimentos na tecnologia de IA – e outras economias avançadas.

O FMI estima o crescimento dos Estados Unidos em 2,4% para 2026, 0,3 ponto percentual a mais que o previsto em outubro.

Em contraste, prevê um crescimento de 1,3% na zona do euro e um ritmo mais lento no Japão.

O crescimento na China e na Índia também é “relativamente sólido” em comparação com outros mercados emergentes, disse Gourinchas.

Com vistas ao futuro, Gourinchas ressaltou a necessidade de independência dos bancos centrais para que possam cumprir seus mandatos de estabilidade de preços e estabilidade financeira.

Embora não tenha comentado uma investigação em curso do Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Jerome Powell, destacou que a importância do dólar americano para o sistema monetário internacional implica que é “ainda mais importante” que o Fed possa fazer seu trabalho e fazê-lo bem.

*Com AFP 

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