Indústria recua 2,4% em janeiro e fica abaixo do nível pré-pandemia

Em um ano, setor tomba 7,2%; antecipação da produção, inflação alta e juros acima de dois dígitos prejudicam atividade

  • Por Jovem Pan
  • 09/03/2022 16h00
Fernando Ogura/AEN-PR Carros sendo montado em fábrica da Volkswagen Inflação pressionada, juros alto e desemprego prejudicam indústria brasileira

A produção industrial perdeu fôlego no início de 2022 ao registrar queda de 2,4% em janeiro, na comparação com o mês anterior, informou nesta quarta-feira, 9, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). O resultado elimina parte do avanço de 2,9% alcançado em dezembro e coloca a indústria 3,5% abaixo do nível pré-pandemia, em fevereiro de 2020. Em comparação com janeiro de 2021, a atividade tombou 7,2%. O desempenho negativo ante o avanço em dezembro pode estar relacionado à antecipação da produção. “Verificamos que o mês de janeiro está bem caracterizado pela perda de dinamismo e de perfil disseminado de queda, uma vez que todas as grandes categorias econômicas mostram recuo na produção, tanto na comparação com o mês anterior quanto na comparação com janeiro de 2021”, afirma o gerente da pesquisa, André Macedo.

Dos 26 segmentos observados pelo IBGE, 21 tiveram queda ante o mês anterior. Na comparação com janeiro de 2021, 18 atividades recuaram. A atividade industrial continua sofrendo com a desarticulação das cadeias de produção pela falta de insumos em reflexo da pandemia da Covid-19. Além das questões técnicas, o setor é penalizado pela corrosão do salário causada pela inflação pressionada e a retração de investimentos com escalada dos juros a dois dígitos. A queda do poder de compra dos brasileiros pelo elevado número de trabalhadores fora do mercado também dificulta o crescimento da atividade.

Entre as atividades, as influências negativas mais importantes na passagem de dezembro de 2021 para janeiro de 2022 foram assinaladas por veículos automotores, reboques e carrocerias (-17,4%) e indústrias extrativas (-5,2%), após acumularem expansão de 18,2% e de 6% nos dois últimos meses de 2021, respectivamente. Também no confronto com janeiro de 2021, essas atividades foram as que mais impactaram negativamente o índice geral, com queda de 23,5% na primeira e de 6,7% na segunda. “O segmento de veículos automotores é um exemplo importante de desarticulação da cadeia produtiva, já que tem dificuldades na obtenção de insumos importantes para a produção do bem final. Já o setor extrativo, em janeiro de 2022, teve a extração do minério de ferro bastante afetada pelas chuvas em Minas Gerais”, diz Macedo.