Inflação do aluguel desacelera em junho, mas acumula alta de 35,7% em 12 meses

Recuo do dólar ante o real faz IGP-M registrar crescimento de 0,6%, contra alta de 4,1% no mês anterior

  • Por Jovem Pan
  • 29/06/2021 12h00 - Atualizado em 29/06/2021 16h25
Rafael Neddermeyer/ Fotos PúblicasAlém da prestação do aluguel, IGP-M, divulgado pela Fundação Getulio Vargas, também é usado como base para contratos de planos de saúde e companhias telefônicas

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) perdeu força em junho ao registrar alta de 0,6%, ante avanço de 4,1% no mês anterior, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira, 29. O aumento faz o indicador usado como base para o reajuste do aluguel acumular alta de 35,75% em 12 meses. Desde o início do ano, o IGP-M soma avanço de 15,08%. Em junho de 2020, o índice havia subido 1,56% e acumulava alta de 7,31% em 12 meses. Segundo a FGV, a perda de fôlego após o forte crescimento em maio é reflexo da desvalorização do dólar, que desde a última semana opera abaixo da casa dos R$ 5, somada ao recuo do preço das commodities. “A combinação de valorização do real com o recuo dos preços em dólar de commodities importantes, fez o grupo matérias-primas brutas do IPA cair 1,28% em junho, ante alta de 10,15% no mês passado. Com este movimento, a taxa do IPA registrou expressiva desaceleração fechando o mês com alta de 0,42%”, afirma André Braz, Coordenador dos Índices de Preços.

Dos três componentes do IGP-M, apenas um teve variação maior em junho na comparação com o mês anterior. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) — responsável por 60% do IGP-M — variou 0,42% em junho, ante 5,23% em maio. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) — que responde a 30% do total — teve crescimento de 0,57% em junho, contra 0,61% no mês anterior. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) — responsável pelos 10% restantes — aumentou 2,3% em junho, ante 1,8% em maio.

Além de influenciar o preços do mercado imobiliários, o IGP-M é usado como base para reajustes inflacionários de companhias telefônicas e energia elétrica, e também é um dos indexadores para contratos de prestação de serviço, educação e planos de saúde. Em comparação, o IPCA, o indicador oficial da inflação brasileira, acumulou alta de 8,13% nos 12 meses encerrados na prévia de junho. A disparidade entre os dois indicadores é explicada pela fórmula da conta: enquanto o IPCA leva em conta a variação de nove itens de consumo e bens, como alimentação, transporte e educação, o IGP-M é o resultado do IPA, IPC e INPC. Além de levar em consideração itens de bens e serviços, o indicador da FGV também considera matérias-primas utilizadas na produção agrícola, industrial e construção civil, e também itens de commodities, como milho, soja e minério de ferro, que possuem grande influência da variação do dólar.